Venezuelanos em Cuiabá vivem angústia após terremoto e tentam contato com parentes no país
Venezuelanos que vivem em Cuiabá enfrentam momentos de tensão e preocupação após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira (24). Segundo dados da imprensa internacional, já foram contabilizados 164 mortos e quase mil feridos. De acordo com o presidente da Pastoral do Migrante, Mauro Verzeletti, familiares têm tentado contato com parentes que estão no país, mas a comunicação foi prejudicada por falhas no sinal telefônico provocadas pelos abalos.
De acordo com Verzeletti, a Pastoral do Migrante segue acompanhando a situação e mantendo articulações para avaliar de que forma poderá auxiliar as famílias venezuelanas que vivem na capital mato-grossense e buscam notícias de parentes nas regiões atingidas.
“Os familiares estão tentando contato com seus parentes, mas o sinal de telefone foi prejudicado devido ao terremoto. A Pastoral segue averiguando para ver o que poderá fazer para ajudar”, informou Mauro Verzeletti.
O terremoto
A Venezuela foi atingida por dois fortes terremotos em sequência, com magnitudes de 7,2 e 7,5. Os tremores provocaram destruição em Caracas e em outras regiões próximas, com registros de prédios danificados, desabamentos, interrupções em serviços e correria de moradores pelas ruas.
Os números de mortos e feridos ainda são preliminares e podem aumentar à medida que as equipes de resgate avançam nas buscas. A região de La Guaira, próxima a Caracas e onde fica o principal aeroporto que atende a capital venezuelana, também está entre as áreas afetadas.
A tragédia mobiliza comunidades venezuelanas em diferentes países, incluindo o Brasil. Em Cuiabá, a Pastoral do Migrante acompanha a situação de perto e deve definir novas formas de apoio conforme as demandas forem identificadas. (Gazeta Digital)

Expectativa
O g1 visitou a Pastoral do Migrante nesta quinta-feira (25) e falou com venezuelanos que perderam contato com familiares. Sem conseguir contato com parentes que vivem nas áreas mais afetadas, como Caracas e El Guayabo, eles afirmaram que acompanham as notícias à distância.
Em Cuiabá, a venezuelana Diana Carolina Salazar, de 40 anos, procurou a Pastoral nesta quinta para resolver a documentação do filho. Ela contou que ainda não conseguiu falar com uma sobrinha que mora em Caracas, capital do país.
“Acordamos hoje com a notícia de que a Venezuela está passando por um momento difícil. Minha sobrinha está lá, e eu espero que ela esteja bem. Ainda não consegui falar com ela. Vou tentar entrar em contato mais tarde novamente. Se Deus quiser, tudo ficará bem e isso logo vai passar”, disse emocionada.
Segundo Diana, a falta de informações aumenta a preocupação entre os venezuelanos que vivem longe de casa.
“É terrível, pois muitas pessoas morreram e outras ficaram feridas. Não sabemos se isso pode acontecer novamente […] estamos todos muito preocupados e passando por dificuldades devido à situação do nosso país”, ressaltou.

A situação também preocupa a venezuelana Suanny Galvan, que chegou ao Brasil em 2021 com o marido e os três filhos. Atualmente voluntária na Pastoral do Migrante, ela perdeu o contato com os sogros e outros familiares que vivem na mesma região.
“Não sei nada da minha família. Eles moram na cidade que foi mais afetada. Só consigo acompanhar pelas notícias. Estou muito preocupada”, relatou.
De acordo com Suanny, as poucas informações que chegaram até ela indicam um cenário de destruição.
“Só me falaram que o bairro onde eles moram foi tudo destruído. Minha cunhada e meus sogros, que são idosos, estão lá. Estou muito agoniada, não consigo nem pensar direito”, disse.
Os terremotos tiveram magnitude 7,2 e 7,5 e atingiram a Venezuela durante a noite, com menos de um minuto de diferença entre eles. Os tremores provocaram pelo menos 20 réplicas nas horas seguintes e foram sentidos inclusive em cidades do Norte do Brasil.
Os abalos causaram o desabamento de prédios e casas em Caracas e em outras cidades venezuelanas. Até a última atualização desta reportagem foram confirmadas 164 pessoas mortas, além de centenas de feridos, segundo a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez,
As autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar, já que equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes sob os escombros. Mais de 500 equipes de emergência atuam nas áreas atingidas nesta quinta-feira (25). (G1 MT)
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