Prefeito exonera secretária após fala homofóbica contra vereador em MT

Prefeito exonera secretária após fala homofóbica contra vereador em MT
Secretária foi exonerada após áudio com fala homofóbica contra vereador. Foto: Estadão de MT

O prefeito de Confresa (1.058 km de Cuiabá), Ricardo Babinski (MDB), exonerou a secretária municipal de Cultura, Evirlene Sipaúba (PL), por falas homofóbicas contra o vereador Marcelo Silva de Souza, conhecido como Marcelinho (PSB). A exoneração foi publicada no Diário dos Municípios, no último dia 6.

Em um áudio enviado no WhatsApp, Evirlene questiona a sexualidade de Marcelo após a participação dele em um evento sobre o Dia das Mulheres.

“E esse evento aí ‘Mulheres do Agro’ que eu não estava sabendo e eu gostaria de estar aí? O palestrante é que está meio assim, torto, né?! Não entendi, um homem que nem gosta de mulher, casado com outro, palestrando para as mulheres? Ô, gente, onde que a gente chegou? Jesus amado”, diz a então secretária.

A fala da ex-servidora foi alvo de uma moção de repúdio da Câmara Municipal e também do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso. Conforme os vereadores, a conduta de Evirlene é inaceitável, incompatível com o exercício da função pública e absolutamente contrária aos princípios que regem a Administração Pública e o Estado Democrático de Direito.

“É inadmissível que um agente público responsável por conduzir políticas públicas culturais que devem promover diversidade, inclusão e respeito e valorização das diferenças, se utilize de manifestações discriminatórias ou ofensivas contra qualquer cidadão”, diz trecho da moção.

“As declarações atribuídas à secretária municipal ultrapassam os limites do debate político ou da crítica administrativa legítima, assumindo contornos de ataque pessoal e discriminatório, o que afronta diretamente os valores constitucionais que orientam a atuação da Administração Pública”, completou.

Já o Partido dos Trabalhadores pontuou que, ao questionar a legitimidade da participação de um homem gay em um espaço de diálogo com mulheres, revela não apenas preconceito e desinformação, mas também reproduz estigmas históricos que atingem a população LGBTQIA+.

“Trata-se de uma manifestação discriminatória incompatível com qualquer função pública e que fere frontalmente os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade e do respeito à diversidade”, destacaram em nota.

Ainda segundo a sigla, manifestações dessa natureza não podem ser tratadas como meras opiniões, mas como violações de direitos que precisam ser devidamente apuradas e responsabilizadas na forma da lei.

“Nos solidarizamos com o vereador Marcelo Souza e com todas as pessoas LGBTQIA+ que, diariamente, enfrentam o preconceito em espaços públicos, institucionais e sociais. Nenhuma autoridade ou agente público tem o direito de deslegitimar identidades, afetos ou trajetórias de vida”, concluíram.

Outro lado

No domingo (8), a ex-secretária usou as redes sociais para comentar sobre o assunto.

“Assina, uma mulher procurada pelos Poderes no DIA DA MULHER, por ‘pronunciamento, questionamento considerado “privado”, considerado crime, mas que ainda não foi analisado por tais. Não vou e nem quero me eximir das consequências, até porque já estou arcando, mas também represento um povo. Não posso baixar a cabeça, (embora essa pareça ser a única opção), sou filha do Rei, que não nos deu espírito de covardia, mas de poder, amor e domínio próprio”, escreveu Evirlene. (Estadão de MT)