Modelo de Mato Grosso inspira expansão agrícola na Colômbia
O modelo de desenvolvimento agropecuário de Mato Grosso ganhou projeção internacional e passou a ser apontado como referência para a expansão da produção de grãos na Colômbia.
Durante o fórum “Colômbia: uma potência agrícola que alimentará o mundo”, promovido pelo jornal El Tiempo, o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, apresentou a experiência do Estado como exemplo de transformação de uma fronteira agrícola em uma das regiões mais produtivas do planeta.
O encontro reuniu especialistas, pesquisadores, empresários e representantes do setor agroindustrial colombiano para discutir estratégias de desenvolvimento da Altillanura, região localizada na Orinoquia e considerada o principal potencial agrícola da Colômbia, para ampliar a produção de soja e milho e reduzir a dependência das importações de grãos.
Segundo Gauer, a semelhança entre a Altillanura e o Cerrado brasileiro explica o interesse colombiano pelo modelo mato-grossense.
“A região possui características muito parecidas com as do Cerrado. Mato Grosso conseguiu transformar desafios semelhantes em uma base produtiva altamente competitiva.
Cada país tem sua realidade, mas planejamento, tecnologia, infraestrutura e segurança jurídica são elementos indispensáveis para qualquer processo de desenvolvimento agrícola”, afirmou.
Durante a apresentação, o superintendente detalhou como Mato Grosso consolidou sua liderança nacional por meio de investimentos em correção de solo, mecanização, pesquisa, empreendedorismo, inovação tecnológica e organização da cadeia produtiva.
Hoje, o Estado lidera a produção brasileira de soja, milho, algodão, etanol de milho, bovinos e gergelim, além de possuir um dos agronegócios mais competitivos do mundo.
O setor responde por 56,2% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto o Valor Bruto da Produção (VBP) deverá atingir R$ 208,35 bilhões em 2026, segundo projeções do Imea.
Na safra 2026/27, Mato Grosso deverá produzir 28,6% de toda a soja brasileira, participação equivalente a 11,7% da produção mundial. No milho, a liderança também é expressiva.
O Estado responde por 38% da produção nacional e praticamente metade da segunda safra brasileira (49,5%), consolidando-se como principal fornecedor do cereal no país.
Gauer ressaltou que esse crescimento ocorreu aliado à preservação ambiental.
Dados do Imea mostram que 60,4% do território mato-grossense permanece coberto por vegetação nativa, sendo 40,43% preservados ou protegidos dentro das propriedades rurais.
“Mato Grosso aprendeu que produzir mais não basta. É preciso produzir com eficiência, responsabilidade ambiental e visão de longo prazo.
Hoje, os principais desafios estão fora da porteira, especialmente em logística, infraestrutura, burocracia e segurança jurídica”, observou.
Os gargalos enfrentados atualmente por Mato Grosso também fazem parte da realidade colombiana.
A imprensa local aponta dificuldades relacionadas à correção de solos ácidos, escassez de material genético adaptado às condições tropicais, deficiência na infraestrutura rodoviária, conflitos fundiários e insegurança jurídica.
Para Gauer, esses fatores demonstram que o desenvolvimento agrícola depende de políticas públicas permanentes.
“A produção em larga escala exige muito mais que terra disponível. É preciso investir em estradas, pontes, pesquisa, crédito, tecnologia e oferecer estabilidade jurídica ao produtor. Mato Grosso percorreu esse caminho e continua avançando”, afirmou.
Apesar dos avanços obtidos com o crescimento do Arco Norte, responsável por 52,61% do escoamento da produção mato-grossense em 2025, o custo do transporte continua sendo um dos principais fatores que reduzem a competitividade do Estado.
Na Colômbia, a expansão da Altillanura também depende da construção de rodovias, pontes e corredores logísticos capazes de integrar a região aos centros consumidores e aos portos de exportação.
O fórum também discutiu o papel da produção de grãos para fortalecer a segurança alimentar colombiana.
O aumento da oferta de soja e milho é considerado estratégico para reduzir custos da avicultura e da suinocultura, ampliar a produção de proteína animal e diminuir a dependência das importações.
Ao final do encontro, Gauer destacou que a troca de experiências consolida Mato Grosso como uma das principais referências mundiais em agricultura tropical.
“O Estado demonstra que é possível desenvolver uma fronteira agrícola com escala, tecnologia e preservação ambiental. Compartilhar essa experiência fortalece o agronegócio brasileiro e aproxima países que enfrentam desafios semelhantes.”
Por que a Colômbia olha para Mato Grosso?
A região da Altillanura, localizada na Orinoquia colombiana, possui características semelhantes às do Cerrado brasileiro e busca repetir parte da trajetória de desenvolvimento construída em Mato Grosso.
O que chamou atenção
✔ Correção de solos ácidos;
✔ Agricultura em larga escala;
✔ Mecanização;
✔ Pesquisa e inovação;
✔ Segurança jurídica;
✔ Integração entre produção e preservação ambiental.
Objetivo colombiano
• Reduzir importações de soja e milho;
• • Fortalecer avicultura e suinocultura;
• • Ampliar a produção de proteína animal;
• • Tornar a Altillanura uma nova fronteira agrícola. (Diário de Cuiabá)