Um vídeo que passou a circular nas redes sociais nesta terça-feira (21) mostra os últimos momentos de uma gestante, prestes a dar à luz, antes de ela e o bebê morrerem em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tangará da Serra (a 253 km de Cuiabá).
Nas imagens, o esposo, pai da criança, filma a mulher sentada no banco do passageiro, com acessos no braço, e diz que estariam deixando a UPA municipal para buscar atendimento em outro local devido à demora.
“Estamos indo embora. Estou levando ela aqui. Está quase ganhando neném. Caçar outro hospital porque aqui o negócio está feio”, afirmou o homem.
O Repórter MT entrou em contato com a secretária municipal de Saúde, Angela Belizário, que informou que, após saírem da UPA, o casal foi até um hospital particular, onde foi constatada a morte do bebê, que já pesava mais de 3 kg.
Segundo ela, não houve negligência por parte da unidade pública. A secretária afirmou ainda que o feto já poderia estar morto quando a paciente chegou à UPA.
“O bebê já estava morto há mais de dois dias, segundo a obstetra e o médico que fez a cirurgia e o parto dela. Em decorrência desse óbito fetal, a mãe teve complicações e faleceu por infecção generalizada”, declarou.
De acordo com Angela, o caso começou na madrugada do domingo de Páscoa (5), quando a gestante e o marido deram entrada na UPA. Eles teriam aguardado cerca de seis minutos pelo atendimento inicial. Como a unidade não possui ginecologista obstetra de plantão, seria necessário aguardar a chegada de um profissional que estava em sobreaviso, motivo pelo qual decidiram buscar um hospital particular.
Ao ser questionada se a morte do feto já não deveria ter sido atestada na UPA, ela relativizou. “É muito relativo. O médico que faz a escuta pode muito bem ter escutado uma veia aorta ou outra coisa”, disse.
Pouco depois, a família voltou a buscar atendimento na UPA, momento em que a mulher foi internada em um leito do Sistema Único de Saúde (SUS).
“O bebê foi retirado e a mãe nós colocamos em um leito SUS. A família procurou a unidade dizendo que não tinha recursos, então fizemos a internação. Quando ela foi colocada no leito SUS, percebemos a gravidade do quadro”, explicou a secretária.
A mulher foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu internada por 13 dias, com quadro de infecção generalizada. Ela não resistiu e morreu no último domingo (19).
Angela afirmou que as causas das mortes ainda serão apuradas e reunidas em inquérito policial. Segundo ela, há poucas informações sobre o acompanhamento gestacional da paciente, já que os exames de pré-natal teriam sido realizados com médico particular.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com o marido da gestante, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. (Repórter MT)
Veja vídeo:





