UFMT afasta do cargo professor de Direito condenado por perseguir a ex

UFMT afasta do cargo professor de Direito condenado por perseguir a ex
Foto: Reprodução/RD

A reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Aparecida Souza e Silva, determinou o afastamento cautelar do professor da Faculdade de Direito, Saulo Tarso Rodrigues, enquanto tramita uma investigação preliminar instaurada pela Corregedoria da instituição. A medida foi publicada em uma portaria, nesta sexta-feira (24), e estabelece o afastamento de todas as atividades inerentes ao cargo, sem prejuízo da remuneração, até a conclusão dos trabalhos da Comissão de Investigação Preliminar.

A investigação decorre de procedimento instaurado pela Portaria da Corregedoria nº 34, de 14 de julho de 2026. O teor da apuração, no entanto, não foi detalhado pela universidade.

O afastamento ocorre dias depois de o professor ter sido condenado pela Justiça por perseguir a ex-companheira. Conforme a sentença, Saulo Tarso Rodrigues foi responsabilizado pelo crime de perseguição (stalking), após manter uma série de condutas contra a vítima mesmo depois do fim do relacionamento. A decisão reconheceu que os atos comprometeram a liberdade e a tranquilidade da mulher.

Por este crime, Saulo recebeu uma pena de 10 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial aberto. Consta nos autos que o professor e a ex tiveram um relacionamento de 12 anos e tiveram dois filhos. Eles se separaram em 2017. Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), entre setembro e outubro de 2022, o professor enviou vários e-mails à ex, insistindo em realizar encontros presenciais. Nas mensagens, ele também dizia saber os horários de trabalho da vítima.

Ao RD News, Saulo Tarso Rodrigues afirmou que a ação tramitou à sua revelia, sem citação pessoal, e que só soube que era réu no processo em dezembro de 2025, poucas horas antes da audiência de instrução. Ele alega ainda que o procedimento contou com a nomeação arbitrária de um defensor durante a audiência. O professor nega as acusações.

Devido à suposta ausência de citação e de defesa no processo, a equipe jurídica do professor protocolou recursos, incluindo um pedido de nulidade de todo o trâmite processual junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Saulo esclarece que, embora esperassem uma condenação devido à impossibilidade de apresentar defesa durante a instrução, a estratégia atual foca na anulação do processo por vício procedimental. (RD News)