Segurança fecha o cerco a facções no Estado com operação especial

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A Secretaria de Segurança Pública (Sesp-MT) intensificou o combate às facções criminosas com a Operação Território Livre, desencadeada em dois municípios do interior do Estado, como parte das ações do Programa Tolerância Zero às Facções Criminosa, do Governo.

O Comando Vermelho (CV) é a facção dominante na região Oeste de Mato Grosso. Mas, há sinais da presença do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre os dias 17 e 23 (segunda e quinta-feira), em Cáceres e Pontes e Lacerda (225 e 448 km de Cuiabá, respectivamente), foram presos 18 integrantes de facções criminosas suspeitos de participação em roubos, homicídios, tráfico de drogas e outros crimes.

Foram apreendidas 10 armas de fogo (espingardas, fuzil, pistolas automáticas e revólveres) e 250 munições, além de dois tabletes de drogas (maconha e cocaína).

As investigações sobre essas prisões e apreensões seguem na Polícia Judiciária Civil.

PMMT

Secretária - Sesp

Em Cáceres e Pontes e Lacerda, nesta semana, a secretária de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, acompanhou as ações operacionais contra facções

Planejada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), a operação mobiliza equipes dos batalhões da Rotam, da Companhia de Motopatrulhamento Tático (Raio) e da Força Tática, além de outras unidades do policiamento ostensivo da Polícia Militar, com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

A ação também conta com a atuação da Polícia Civil, em investigações qualificadas e com o suporte da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), no acompanhamento de prisões em flagrante e seus desdobramentos no sistema prisional.

Em Cáceres, quatro celas de uma unidade prisional passaram por revistas.

A  Operação Território Livre também inclui visitas domiciliares a agressores que respondem em liberdade por crimes no âmbito da violência doméstica.

Somente em Cáceres, equipes da PMMT já realizaram 15 visitas para fiscalizar o cumprimento de medidas restritivas impostas pela Justiça para proteção das vítimas.

Em Pontes e Lacerda, até quinta-feira (23), foram realizadas 12 visitas similares.

A secretária de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, esteve na quinta-feira em Cáceres, acompanhando as ações.

Na sexta (24), ela lançou oficialmente a Operação Território Livre em Pontes e Lacerda.

Susane Tamanho também sobrevoou a região e visitou a área da reserva indígena Sararé, entre os municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Nesses locais, forças policiais estaduais apoiam órgãos federais de segurança e meio ambiente no combate ao garimpo ilegal.

“Com a Território Livre, estamos dando sequência ao Programa Tolerância Zero, levando operações às ruas e implementando novos desdobramentos de policiamento e investigações. Por orientação do governador Otaviano Pivetta, as ações estão focadas em três eixos: a asfixia financeira das facções, o policiamento ostensivo orientado pela inteligência policial e o combate à violência doméstica”, destacou a secretária.

“Sabemos o quanto as facções criminosas são impactadas quando atingidas em suas estruturas financeiras. É nisso que estamos intensificando nosso trabalho, sem deixar de dar atenção às ruas na garantia da presença forte das forças policiais no atendimento à população”, assinalou.

No que se refere ao patrulhamento orientado pela inteligência policial, Susane Tamanho diz que esse é um modelo de enfrentamento que permite uma atuação cirúrgica, ou seja, combater a criminalidade de forma direta, embasada em apuração e produção previa de provas.

Com relação à violência doméstica, a secretária ressaltou a importância da política de transversalidade, do Governo do Estado, implementada por meio do Gabinete de Enfretamento à Violência Doméstica.

Essa transversalidade, lembrou a secretária, mobiliza diversas secretarias na prevenção e combate à violência, entre as quais a Segurança Pública, Educação, Saúde e Assistência Social.

De acordo com a secretária, a Território Livre será levada a todos os municípios em programação definida a partir de análises e planejamento estratégico em segurança pública.

Em Cáceres e Pontes e Lacerda, Susane esteve acompanhada da coronel PM Grasielle Paes, subchefe de Estado-Maior Geral da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT), e dos tenentes-coronéis Vanilson e Wesmensandro, comandante do 5º e 12º Comandos Regionais da PM, além de outros oficiais militares e delegados da Polícia Civil.

FACÇÕES NO ESTADO – Em Mato Grosso, ao menos 42 dos 142 municípios estão sob o domínio de uma ou mais facção criminosa.

De acordo com dados do estudo “Cartografias da Violência na Amazônia”, divulgado no ano passado, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Instituto Mãe Crioula, 27 dessas cidades mato-grossenses contam com apenas um grupo e, nos 15 restantes, há pelo menos dois.

Entre as facções identificadas, constam as presenças do Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Tropa Castelar e do B40.

Conforme já divulgado pelo DIÁRIO, o grupo B40, criado em São Luís (MA), foi noticiado pela primeira vez, em 2025, no Estado, com membros em Cuiabá, Várzea Grande e Cáceres.

No entanto, o CV é a facção hegemônica no território mato-grossense e está presente de forma única em 23 municípios – entre eles, Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Cáceres e Rondonópolis.

O grupo também atua nas cidades de Araguaiana, Arenápolis, Aripuanã, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis, Confresa, Diamantino, Glória do Oeste, Guiratinga, Itanhangá, Jangada, Juína, Mirassol D’Oeste, Nobres, Nortelândia, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Peixoto de Azevedo, Pontes e Lacerda, Porto Espiridião, Primavera do Leste, Querência, Rosário Oeste, São José do Rio Claro, São José dos Quatro Marcos, Sapezal, Tangará da Serra, Tapurah e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Já o PCC tem o domínio em apenas um município, que é Pedra Preta (238 km ao Sul de Cuiabá).

No entanto, o PCC registra conflitos com o CV em outras 13 cidades.

Na lista aparece Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá), onde também foi identificada a influência do Tropa do Castelar, grupo já conhecido desde o final de 2022.

O Tropa do Castelar surgiu a partir de uma dissidência de membros do CV de Sorriso, recebendo apoio e fortalecimento através de armamentos do PCC, que busca expandir sua atuação no Estado.

O Tropa do Castelar também está presente em Alto Paraguai, Nova Maringá e Nova Santa Helena. (Diário de Cuiabá)