Recém-descoberto, asteroide vai passar de raspão pela Terra no dia 18 de maio
Por Eduardo Baldaci, Space News Hub
Confesso que toda vez que um asteroide aparece nas notícias, parte da minha função como jornalista científico é fazer exatamente o oposto do que os títulos alarmistas pedem: respirar fundo e explicar o que está acontecendo de verdade. E o que está acontecendo com o 2026 JH2 é genuinamente fascinante, sem precisar de nenhum drama extra.
Na próxima segunda-feira, dia 18 de maio, um asteroide do tamanho aproximado de uma quadra de basquete vai passar pela vizinhança da Terra. Não “vizinhança” no sentido de estar do outro lado da cidade, estou falando de 90 mil quilômetros de distância, menos de um quarto do caminho até a Lua. Em termos astronômicos, isso é muito perto de nós.
O objeto foi descoberto há apenas cinco dias, em 10 de maio, pelo Mt. Lemmon Survey, um observatório no Arizona especializado justamente em caçar esse tipo de visitante. E aí está um ponto que acho importante destacar: não é porque alguém “falhou” em detectá-lo antes. Rochas desse tamanho são pequenas, escuras, e só aparecem no radar quando já estão relativamente perto. É a natureza do problema — e é por isso que programas como o Mt. Lemmon existem.
As estimativas da NASA indicam que o 2026 JH2 tem entre 16 e 35 metros de largura. Para quem quer uma referência mais concreta: o meteoro de Chelyabinsk, aquele que explodiu sobre a Rússia em 2013 e quebrou janelas em cidades inteiras, tinha cerca de 20 metros. Então sim, estamos falando de algo com potencial destrutivo real. Caso entrasse na atmosfera. Mas não vai entrar.

A passagem mais próxima acontece às 21h23 (horário de Brasília) de segunda, e os astrônomos garantem risco zero de impacto. A tecnologia de rastreamento de órbitas hoje é suficientemente precisa para dizer isso com confiança.
O que me chama atenção nessa passagem não é o susto , mas sim a oportunidade. O asteroide já está visível no céu do sul após o pôr do sol, perto das constelações de Ursa Maior e Leão, e na segunda deve atingir magnitude +11,5. Isso significa que qualquer telescópio amador razoável consegue captá-lo. Se você tiver um, vale a tentativa. Um aplicativo como o Stellarium ajuda a localizá-lo, mas pode ser necessário atualizar a base de dados de objetos celestes do programa, já que a descoberta é muito recente.
Para quem não tem equipamento, e eu sei que a maioria não tem, o Virtual Telescope Project vai transmitir a passagem ao vivo pela internet. É o tipo de coisa que eu encorajo qualquer curioso a assistir, mesmo sem nenhuma formação em astronomia. Ver um ponto de luz se movendo contra o fundo de estrelas fixas, sabendo que é uma rocha espacial passando a menos de cem mil quilômetros daqui, é uma das experiências mais humilhantes e maravilhosas que o céu pode oferecer.

A passagem do 2026 JH2 não é o fim do mundo. É, na verdade, o tipo de evento que nos lembra que vivemos num sistema solar vivo, dinâmico, cheio de objetos em movimento constante — e que temos, hoje, os olhos e os cérebros para acompanhar tudo isso em tempo real. Isso, pra mim, é a notícia de verdade.
Eduardo Baldaci é astrônomo amador brasileiro que reside nos EUA