Polícia diz que missionária usava contas bancárias dos pais para movimentar dinheiro do CV

Polícia diz que missionária usava contas bancárias dos pais para movimentar dinheiro do CV
Foto: PJC

Investigada por integrar um grupo que utilizava um projeto religioso para beneficiar membros do Comando Vermelho (CV), a missionária evangélica Rhavenna Barcelos, de 24 anos, usava contas bancárias dos próprios pais para movimentar e lavar dinheiro da facção criminosa. A informação foi revelada pelo delegado Victor Hugo Caetano, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), responsável pelas investigações.

Segundo o delegado, além de atuar como intermediária entre lideranças da facção e integrantes em liberdade, Rhavenna utilizava contas bancárias de familiares para ocultar a origem ilícita dos recursos movimentados pela organização criminosa.

“Ela fazia a dilapidação de valores em espécie, inclusive com o empréstimo de contas bancárias, inclusive dos pais”, afirmou Victor Hugo.

As investigações apontam que os pais da missionária, ambos pastores, também participavam do esquema criminoso. Conforme o delegado, eles recebiam mensagens de integrantes da facção, transportavam dinheiro e auxiliavam na movimentação dos recursos obtidos pelo grupo.

“Os pais dela faziam essa mesma participação. Recebiam recados, dilapidavam valores em espécie e transportavam dinheiro para outras pessoas. Não temos dúvida nenhuma em afirmar que eles fazem parte da organização criminosa”, declarou.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava o projeto Equipe Evangelismo Resgatando Vidas, que atuava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, como fachada para facilitar a comunicação entre presos e criminosos em liberdade, além de dar suporte financeiro às lideranças do Comando Vermelho.

A investigação durou mais de um ano e teve início após uma denúncia anônima. A equipe do Draco reuniu conversas, fotografias, vídeos e outros elementos que apontam a ligação dos investigados com integrantes da facção.

Rhavenna é apontada como companheira de Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso e foragido da Justiça desde 2024. Segundo a polícia, ela recebia ordens do criminoso, repassava mensagens e distribuía recursos financeiros em benefício da organização.

Na Operação Fariseus, deflagrada nesta semana, a Justiça determinou a prisão preventiva de Rhavenna e aplicou medidas cautelares aos demais investigados. Entre elas está a proibição de ingressar em unidades prisionais de Mato Grosso, por meio de projetos religiosos, pelo prazo inicial de seis meses.

A Polícia Civil continua apurando o volume de dinheiro movimentado pelo grupo e a participação individual de cada investigado nos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura. (Estadão de MT)