Max diz que ALMT irá até as últimas possiblidades por área disputada com o Pará: ‘não é uma briga fácil’
O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), afirmou que o parlamento irá até as “últimas possibilidades” para defender a incorporação de uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados atualmente em disputa judicial com o Pará.
A declaração foi dada às vésperas da audiência de conciliação marcada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que discutirá o impasse entre os dois estados no próximo dia 10 de junho. Segundo Max, independentemente da participação do Governo de Mato Grosso nas tratativas, a Assembleia seguirá atuando para garantir o que considera ser um direito histórico do estado.
“Independente da participação do governo ou não, a Assembleia vai até as últimas possibilidades. Não é uma luta fácil, não é uma disputa fácil, mas é uma luta justa. Nós estamos defendendo o que é de direito de Mato Grosso, que foi marcado lá em 1922”, afirmou.
O presidente ressaltou que a defesa da área não está relacionada apenas à ampliação territorial ou ao potencial de arrecadação, mas principalmente à situação dos moradores da região.
“A gente foi procurado por aquelas pessoas que procuram saúde, educação, estradas e não recebem. Nós queremos que a população ali seja escutada, ouvida, porque, no final de tudo, o que importa não é um palmo a mais de terra. O que importa são as pessoas”, declarou.
A disputa envolve uma área equivalente ao território do estado de Sergipe e alcança seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia. Em 2020, o STF reconheceu por unanimidade os limites estabelecidos em 1922 após análises técnicas e perícias cartográficas. Mesmo assim, Mato Grosso ingressou com uma nova ação em 2023 buscando a revisão do entendimento.
Max afirmou acreditar que Mato Grosso possui melhores condições de atender a população que vive na área contestada.
“É justo isso ir para Mato Grosso. Teremos condição de entender melhor aquelas pessoas, teremos condição de fazer justiça. É uma briga que nós vamos até as últimas respostas”, disse.
Resposta à governadora
As declarações também ocorrem após a governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), afirmar que o estado não abrirá mão da área em disputa e que não pretende ceder “um palmo de terra” aos mato-grossenses.
Questionado sobre a posição da governadora, Max evitou críticas diretas e avaliou que a defesa paraense está concentrada nos aspectos territoriais e econômicos da questão.
“A governadora está pensando na terra, na arrecadação. Eles pegam receitas e recursos e investem em outras regiões do estado”, afirmou.
Na sequência, o presidente da Assembleia argumentou que os moradores da região se sentem desassistidos pelo governo paraense e comparou a situação com antigas reivindicações de regiões mato-grossenses por maior atenção do poder público.
“O Pará ali se sente desassistido pelo governo do Pará. Diferente de Mato Grosso. Mato Grosso está preocupado com a população e em fazer justiça naquilo que foi demarcado lá atrás”, declarou. (Olhar Direto)