Professor da UFMT é indiciado por assédio e constrangimento contra três mulheres

Professor da UFMT é indiciado por assédio e constrangimento contra três mulheres
Professor Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu, de 35 anos, foi indiciado. – Foto: Redes sociais

A Polícia Civil concluiu dois inquéritos e indiciou o professor e maestro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu, pelos crimes de assédio sexual e constrangimento ilegal. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá, apuraram denúncias feitas por três mulheres ligadas a atividades acadêmicas e musicais da universidade.

Os inquéritos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que agora irão analisar o caso e decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia criminal.

O primeiro inquérito investigou a denúncia de uma estudante de Música, de 21 anos, que participava de um projeto de extensão coordenado pelo professor. Conforme a Polícia Civil, durante as diligências foram ouvidos familiares, colegas da vítima e outras pessoas ligadas ao ambiente universitário.

Segundo a investigação, os depoimentos reforçaram o relato de abalo emocional da estudante e apontaram comportamentos considerados invasivos e abordagens diferenciadas por parte do professor. Ao final das apurações, a Polícia Civil concluiu haver elementos indicativos da prática, em tese, do crime de assédio sexual e indiciou o docente com base no artigo 216-A do Código Penal.

Durante o interrogatório, Oliver Yoshio Umeda Yatsugafu negou as acusações.

Foto mostra fachada de um dos blocos da UFMT
Após denúncias de três mulheres, professor da UFMT é indiciado pela Polícia Civil. – Foto: divulgação/UFMT

Restrição da liberdade

O segundo inquérito teve como vítimas duas musicistas, de 23 e 39 anos. De acordo com a investigação, em novembro de 2025 elas foram chamadas pelo professor para uma reunião antes de um ensaio realizado no Departamento de Artes da UFMT.

Segundo a Polícia Civil, durante o encontro o docente teria pedido que as duas convencessem a estudante que registrou a primeira denúncia a retornar às atividades do projeto musical.

Ainda conforme a investigação, em determinado momento o professor teria se colocado em frente à porta da sala e impedido que as duas deixassem o local. A restrição da liberdade teria durado cerca de três minutos.

As vítimas conseguiram sair da sala e procuraram abrigo em outro espaço da universidade, onde foram encontradas nervosas e emocionalmente abaladas.

O professor também negou essa acusação e afirmou à Polícia Civil que a reunião tratava apenas de assuntos relacionados ao projeto musical.

Ao concluir o segundo inquérito, a delegada responsável entendeu haver indícios da prática do crime de constrangimento ilegal, previsto no artigo 146 do Código Penal, e também indiciou o professor.

Relembre o caso

O caso veio à tona em janeiro deste ano, quando uma estudante de 21 anos denunciou o professor por supostos episódios de assédio sexual ocorridos entre 2023 e 2025.

Segundo o boletim de ocorrência registrado pela vítima, o docente teria feito declarações amorosas durante atividades acadêmicas, demonstrado comportamento possessivo e, posteriormente, ido até a casa da estudante para insistir em um relacionamento.

Dias depois, outras duas mulheres também procuraram a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher. Elas relataram que foram chamadas para uma reunião antes de um ensaio e afirmaram ter sido impedidas de deixar a sala pelo professor enquanto ele pedia que intercedessem junto à primeira denunciante.

Após a divulgação das denúncias, a Universidade Federal de Mato Grosso afastou o professor das atividades e informou que instaurou procedimentos internos para apurar os fatos. À época, a instituição afirmou repudiar qualquer forma de assédio, reforçou o compromisso com a proteção das vítimas e informou que adotaria as medidas administrativas cabíveis, caso as denúncias fossem confirmadas.

Agora, com a conclusão dos inquéritos policiais, caberá ao Ministério Público analisar as investigações e decidir se apresentará denúncia criminal à Justiça. (Primeira Página)