Homem vira chacota durante jogo de ‘bozó’ e tenta matar desafetos a tiros em VG

Homem vira chacota durante jogo de ‘bozó’ e tenta matar desafetos a tiros em VG

A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT) manteve preso Roger Rodrigues dos Santos. Ele responde por tentar matar dois homens e por porte ilegal de arma de fogo após uma briga que começou durante um jogo de “bozó” em Várzea Grande. Por unanimidade, a Câmara negou o recurso da defesa e manteve a decisão que manda o acusado ser julgado pelo Tribunal do Júri. O acórdão foi publicado nesta segunda-feira (11).

O colegiado manteve as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas. A defesa tentava derrubar esses pontos alegando que houve uma “intensa discussão”, troca de ameaças e até luta corporal antes dos tiros, o que afastaria a tese de ataque surpresa.

O relator do caso, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, porém, entendeu que existem elementos suficientes para que os jurados analisem as qualificadoras. No voto, ele destacou que os crimes podem ter ocorrido após um “desentendimento banal originado em um jogo de ‘bozó’ e ingestão de bebidas alcoólicas”.

A decisão ainda aponta que testemunhas disseram que Roger deixou o local depois da confusão, pegou uma arma e voltou armado. Segundo os autos, ele teria chegado em um veículo “com as luzes apagadas” e já descido apontando a arma para uma das vítimas, situação que, para os magistrados, pode caracterizar ataque surpresa.

Ao manter a pronúncia, o colegiado destacou que a retirada de qualificadoras nesta fase do processo é medida excepcional. O acórdão cita que “somente se admite a exclusão das qualificadoras na pronúncia quando manifestamente improcedentes”. Em outro trecho, o relator afirma que “havendo dúvida ou elementos mínimos que as sustentem, deve-se prestigiar a competência constitucional do Tribunal do Júri”.

Segundo a denúncia, o caso aconteceu em dezembro de 2020 durante uma confraternização no bairro Nova Aliança. Conforme o processo, os participantes bebiam cerveja e jogavam bozó quando começaram provocações entre Roger e J.A.

No depoimento, Roger afirmou que virou alvo de “chacotas” durante o jogo, ouviu frases como “seu comédia” e “vocês não aguenta” e teve cerveja derramada em sua roupa. Ele também disse que a situação evoluiu para ameaças e agressões;

Ainda segundo o processo, depois da briga Roger foi embora, pegou uma pistola em casa e saiu novamente. O próprio acusado admitiu em interrogatório que retornou armado porque estava com medo das ameaças. Depois, encontrou as vítimas na rua e efetuou os disparos.

As vítimas J. e C. A. sobreviveram após serem socorridas. Já Roger confessou que não tinha autorização para portar a arma e relatou que jogou a pistola no Rio Cuiabá depois dos tiros.