Homem vira chacota durante jogo de ‘bozó’ e tenta matar desafetos a tiros em VG
A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT) manteve preso Roger Rodrigues dos Santos. Ele responde por tentar matar dois homens e por porte ilegal de arma de fogo após uma briga que começou durante um jogo de “bozó” em Várzea Grande. Por unanimidade, a Câmara negou o recurso da defesa e manteve a decisão que manda o acusado ser julgado pelo Tribunal do Júri. O acórdão foi publicado nesta segunda-feira (11).
O colegiado manteve as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas. A defesa tentava derrubar esses pontos alegando que houve uma “intensa discussão”, troca de ameaças e até luta corporal antes dos tiros, o que afastaria a tese de ataque surpresa.
A decisão ainda aponta que testemunhas disseram que Roger deixou o local depois da confusão, pegou uma arma e voltou armado. Segundo os autos, ele teria chegado em um veículo “com as luzes apagadas” e já descido apontando a arma para uma das vítimas, situação que, para os magistrados, pode caracterizar ataque surpresa.
Ao manter a pronúncia, o colegiado destacou que a retirada de qualificadoras nesta fase do processo é medida excepcional. O acórdão cita que “somente se admite a exclusão das qualificadoras na pronúncia quando manifestamente improcedentes”. Em outro trecho, o relator afirma que “havendo dúvida ou elementos mínimos que as sustentem, deve-se prestigiar a competência constitucional do Tribunal do Júri”.
Segundo a denúncia, o caso aconteceu em dezembro de 2020 durante uma confraternização no bairro Nova Aliança. Conforme o processo, os participantes bebiam cerveja e jogavam bozó quando começaram provocações entre Roger e J.A.
No depoimento, Roger afirmou que virou alvo de “chacotas” durante o jogo, ouviu frases como “seu comédia” e “vocês não aguenta” e teve cerveja derramada em sua roupa. Ele também disse que a situação evoluiu para ameaças e agressões;
Ainda segundo o processo, depois da briga Roger foi embora, pegou uma pistola em casa e saiu novamente. O próprio acusado admitiu em interrogatório que retornou armado porque estava com medo das ameaças. Depois, encontrou as vítimas na rua e efetuou os disparos.
As vítimas J. e C. A. sobreviveram após serem socorridas. Já Roger confessou que não tinha autorização para portar a arma e relatou que jogou a pistola no Rio Cuiabá depois dos tiros.