Defesa diz que policial foi tachado como bandido e pede soltura

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A defesa do investigador da Polícia Civil Leonel Constantino de Arruda, preso por matar o foragido da Justiça Anderson Conceição de Oliveira, requereu à Justiça a revogação da sua prisão preventiva. O caso ocorreu na manhã da última sexta-feira (6), na região central de Cuiabá.

Anderson procurou a delegacia para registrar um boletim de ocorrência, quando foi constatado que havia um mandado de prisão em aberto contra ele. Leonel, então, lhe deu voz de prisão. O foragido, no entanto, correu e foi seguido pelo investigador, que o atingiu com um tiro na cabeça.

Leonel foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada durante audiência de custódia realizada no sábado (7).

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No recurso, a defesa alegou que o policial pensou que a vítima sacaria uma arma escondida e atirou no intuito de pará-lo e não tirar a sua vida.

“Em milésimos de segundos, tudo num instante e muito rápido, correndo atrás do fugitivo, ao ver o que ele movimentou uma das mãos como se fosse retirar uma arma escondida, na dúvida, no susto e no medo, o requerente desferiu um único tiro em sua direção, com intenção sim de pará-lo, mas jamais de tirar sua vida”, diz trecho do documento.

Ainda segundo defesa, é “inaceitável” que num instante o policial seja transformado de mocinho a bandido no estrito cumprimento do dever.

“E quais foram as circunstâncias? A de um policial que sai de casa para mais um dia de trabalho e, no exercício do seu mister, se depara com a informação que está do lado de um bandido possuidor de vasta ficha criminal e com mandado de prisão aberto a ser cumprido, ou seja, um procurado / foragido da justiça, o qual empreende fuga sem obedecer a ordem de parada dada pelo policial e, correndo em disparada, leva a mão à cintura e, ainda que o bandido não tivesse nada na cinta, o que a mente de qualquer pessoa na mesma situação do policial poderia imaginar? O óbvio!, diz outro trecho do documento.

“É evidente que o requerente pensou que estava diante de uma iminente agressão, que poderia atingir a si próprio ou a qualquer outra pessoa que estava por volta”, apontou.

Alta periculosidade 

Ainda no recurso, a defesa citou as passagens criminais de Anderson, classificando-o como bandido de alta periculosidade.

Segundo a defesa, ele tem passagens por crime de roubo, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, lesão corporal, ameaça, resistência, injúria, violação de domicílio e desacato.

“Um meliante profissional de carteirinha, bandido da mais alta periculosidade acostumado a lidar com violência, arma de fogo, tráfico de drogas, violência, desrespeito e desacato versus policiais que, como o requerente, só estavam trabalhando no desempenho das suas funções. Observe, excelência, que todas as suas prisões, segundo narrativas dos boletins de ocorrência contaram com resistência e ataque aos policiais, necessitando sempre do uso de força para contê-lo. É preciso dizer mais alguma coisa?”, escreveu.

“A situação aqui está totalmente invertida, a decisão objurgada ao invés de aplicar o princípio do in dubio pro reo a favor do requerente, está aplicando-o contra ele, disparate total. O que se percebe é um desejo enorme de transformar o mocinho em bandido e o bandido em mocinho”, acrescentou.

O caso

Anderson compareceu na manhã de sexta-feira à Central de Ocorrências de Cuiabá para registrar um boletim de ocorrência por extravio de documento.

Em checagem no sistema, os policiais constataram que Anderson estava com um mandado de prisão definitiva, em aberto, decretado desde o ano passado pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá pelo crime de roubo, sendo considerado, portanto, um foragido da Justiça.

Ao ser notificado da ordem judicial, ele saiu correndo da delegacia, dando início a uma perseguição policial.

O investigador Leonel Constantino de Arruda atirou contra o homem para impedi-lo de fugir e o disparo acertou a cabeça.

A morte foi confirmada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda não local.

O investigador foi encaminhado para a Corregedoria da Polícia Civil onde foi preso em flagrante.

Fonte: Midianews