Cattani critica Justiça após netos ficarem sem pensão: ‘Assassinos têm mais direitos’; veja vídeo

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Foto: Reprodução

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL), pai de Raquel Cattani, assassinada a facadas em julho de 2024, criticou uma decisão da Justiça que negou pensão aos seus dois netos. Em vídeo publicado no Instagram, ele afirmou que a medida representa uma inversão de valores no Judiciário brasileiro, ao apontar que o tio e o pai das crianças, autores do crime, têm seus direitos assegurados.

“O Pedrinho e a Mariazinha não dependem exclusivamente deste dinheiro. Mas eu quero dizer pra vocês o seguinte: o tio deles que deu 34 facadas na mãe deles pode receber na cadeia. O pai deles que mandou o tio deles fazer isso também pode receber na cadeia”, declarou, referindo-se aos irmãos Rodrigo Xavier, pago para executar o homicídio, e Romero Xavier, que não aceitava o fim do relacionamento com Raquel.

Cattani também comentou sobre a situação dos assassinos, condenados a 63 anos de prisão, ao todo, em julgamento realizado em janeiro deste ano.

“Mais do que isso, eles [Romero e Rodrigo] têm assistência médica 24 horas por dia. Assistência odontológica. Eles dormem bem, comem bem, tem 3 refeições por dia com um nutricionista. Eles têm seus direitos de resguardados”, ironizou o parlamentar.

Conforme noticiado anteriormente pelo Repórter MT, o processo, que se arrasta há um ano, discute o direito à pensão por morte para os dois filhos menores de Raquel. O benefício foi negado administrativamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), decisão mantida pela Justiça Federal sob o argumento de que a premiação internacional e a estrutura da “Queijaria Cattani” descaracterizam a condição de trabalhadora rural de subsistência.

A sentença utilizou o próprio sucesso e a infraestrutura da queijaria como argumento contra o direito ao benefício, citando a presença de maquinário de ordenha, tratores e a visibilidade midiática da marca.

Essa interpretação também foi contestada por Cattani, que afirmou que a filha não possuía empresa formalizada e que o reconhecimento da produção de queijos foi inflado pela mídia à época do assassinato.

Segundo ele, o CNPJ da Queijaria Cattani foi criado apenas um ano após a morte da filha, como forma de manter vivo o legado dela entre os familiares. A empresa, conforme o deputado, é gerida por sua esposa, Sandra Cattani.

Vale lembrar que Raquel ganhou projeção no setor ao conquistar medalhas de ouro e super ouro no concurso Mundial do Queijo realizado em São Paulo, no mesmo ano de sua morte.

“Eu não estou aqui me vitimizando, não. Como eu disse, eu vou dar tudo que eu puder dar para eles. Um dia eu não serei mais deputado e vou voltar para o sítio para fazer queijo. E eles vão estar comigo. Eu não estou me vitimizando. Eu estou só dizendo para você que não existe injustiça, estou provando que não existe justiça no nosso país”, concluiu.

O caso

Raquel Cattani foi assassinada em 18 de julho de 2024, em sua propriedade, em Nova Mutum. O crime foi marcado por extrema violência: a produtora rural recebeu mais de 30 facadas.

As investigações da Polícia Civil apontaram que o crime foi planejado pelo ex-marido de Raquel e pai das crianças, Romero Xavier, que não aceitava o fim do relacionamento.

Romero contou com o auxílio do irmão, Rodrigo Xavier, para executar o homicídio e simular um cenário de latrocínio (roubo seguido de morte), na tentativa de despistar as autoridades. Ambos foram presos poucos dias após o crime e, em julgamento, condenados por homicídio triplamente qualificado. (Repórter MT)

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