Réu confesso, atirador é condenado a 33 anos de prisão por matar Renato Nery

Réu confesso, atirador é condenado a 33 anos de prisão por matar Renato Nery
Foto: Rodinei Crescêncio/Rdnews

O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, nesta quarta-feira (15), o executor Alex Roberto de Queiroz e Silva a 33 anos e 10 meses de prisão em regime fechado pela morte do advogado Renato Nery, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT). O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de crime cometido mediante recompensa, perigo comum e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além do agravante de a vítima ter 72 anos.

O réu também terá de pagar uma indenização de 40 salários mínimos à família da vítima. O julgamento, que foi presidido pelo juiz Marcos Faleiros, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, durou quase 10 horas.

A pena foi construída da seguinte forma: pelo assassinato de Renato Nery, o réu foi sentenciado a 29 anos e 4 meses de reclusão. Alex também foi condenado por fraude processual qualificada, com pena fixada em 8 meses de detenção mais multa, e por integrar organização criminosa, com pena de 4 anos e 6 meses de reclusão mais multa. Das acusações apresentadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), ele foi absolvido apenas do crime de abuso de autoridade.

Alex é o primeiro dos envolvidos no assassinato do advogado Renato Nery a sentar no banco dos réus. Na trama do crime, ele atuou como executor e, segundo as investigações, contou com o apoio do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira para adquirir a arma e as munições do crime, além de auxílio para apagar os rastros após o homicídio.

Além dele, devem ser julgados o PM Heron e os também policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira, apontados como intermediários na ação. No topo da pirâmide estão os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, acusados de serem os mandantes do assassinato. Todos permanecem presos preventivamente aguardando julgamento.

Durante seu depoimento, Alex relatou que estava endividado e sofria ameaças de agiotas quando descobriu o plano de Heron durante um churrasco, de quem alegou ser amigo há dez anos. Ao ouvir sobre o valor de R$ 200 mil que seria pago ao militar, decidiu agir por conta própria para exigir uma parte do dinheiro.

A narrativa de “autonomia” no crime foi contestada pelo promotor de Justiça Rodrigo Domingues, que sustentou de forma contundente que Alex fazia parte de um plano previamente articulado. O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, responsável pelo inquérito policial, também enfatizou o alto grau de planejamento da ação.

Reprodução

Renato Nery

O ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery, assassinado a tiros em julho de 2024

Relembre o caso

Renato Gomes Nery foi baleado com sete tiros na manhã de 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e submetido a cirurgia, mas morreu no dia seguinte em um hospital particular.

Ao longo de um ano de investigação, a DHPP concluiu que o assassinato foi motivado por uma disputa milionária envolvendo uma propriedade rural de 12 hectares em Novo São Joaquim. Ao fim daquela disputa judicial, Nery havia ficado com uma parte das terras como pagamento por seus honorários advocatícios.

As apurações apontam que o crime foi planejado com cerca de 90 dias de antecedência e executado mediante pagamento. (RD News)