Autor da chacina de Sinop vai para Regime Diferenciado após ser flagrado com 13 celulares na PCE

Autor da chacina de Sinop vai para Regime Diferenciado após ser flagrado com 13 celulares na PCE

O juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que Edgar Ricardo de Oliveira, autor da chacina de Sinop (480 km de Cuiabá), fosse para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) após uma vistoria encontrar 13 celulares em sua cela na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. A decisão, do final de abril, aconteceu após o Grupo de Intervenção Rápida encontrar, além dos aparelhos, carregadores, fone de ouvido e anotações de números de telefone escondidos em sua cama de concreto.

Edgar foi condenado em outubro de 2024 a 136 anos, 4 meses e 20 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato de sete pessoas, incluindo uma criança de doze anos, com um tiro nas costas quando ela tentava fugir do ataque. O crime aconteceu em um bar de sinuca do município onde ele costumava jogar, no Carnaval de 2023.

Pouco mais de um mês após a condenação, a defesa de Edgar tentou anular o júri alegando que a “repercussão nacional” teria atrapalhado o julgamento do assassino que, além de ter confessado o crime, teve toda a ação gravada pelas câmeras de segurança do estabelecimento. O pedido foi negado.

No final do ano passado, o juiz Fidelis Neto havia concedido a redução de 15 dias da pena de Edgar por concluir um curso de 180 horas dentro da PCE.

O CRIME

Em 21 de fevereiro de 2023, Edgar e seu comparsa, Ezequias Ribeiro, estavam em um bar do município jogando sinuca. Após uma série de derrotas, ambos realizaram um ataque a tiros que deixou sete mortos, incluindo uma criança de 12 anos. Algumas das vítimas foram encurraladas pelos autores e executadas a sangue frio.

Ezequias morreu em confronto com a Polícia Militar durante a busca pelos criminosos, enquanto Edgar se entregou posteriormente, orientado por seu advogado na época, Marcos Vinicius Borges, conhecido como “advogado ostentação”, que mais tarde deixou o caso.

Durante o julgamento no Tribunal do Júri, Edgar alegou ter usado cocaína antes da chacina e afirmou que uma das vítimas estaria tramando contra ele, instalando um programa espião em seu celular.

O promotor de Justiça Herbert Dias Ferreira destacou a crueldade empregada no crime. Após 12 horas de julgamento, o júri decidiu pela condenação de Edgar, com a prisão em regime fechado, além do pagamento de uma indenização de R$ 200 mil. (HNT)