Marido forja sequestro, tenta vender bens e registra BOs falsos para encobrir crime
O marido da empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, 64 anos, forjou um sequestro, registrou boletins de ocorrência falsos e tentou vender bens da vítima para encobrir o feminicídio cometido no última segunda-feira (4). Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, foi preso na tarde desta terça-feira (5) e confessou o crime. O corpo da vítima foi encontrado enterrado no quintal da casa onde o casal morava, no bairro Parque Cuiabá.
De acordo com o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP/PJC, Nilza desapareceu na manhã de segunda-feira (4), por volta das 7h40, na região do Coxipó da Ponte. Ela usava short azul e camiseta manga comprida de sol.
Uma familiar da vítima, que preferiu não se identificar, relatou a Gazeta Digital a sequência de acontecimentos que antecederam a localização do corpo. Segundo ela, Jackson procurou a família e afirmou que a empresária havia saído para caminhar e não retornou. Desconfiados, os parentes buscaram imagens de câmeras de segurança na casa de uma vizinha.
“Olhamos na loja e na academia, mas ela não apareceu. Ontem, mais de meia-noite, pedimos imagens da câmera da vizinha e mostrou o carro Argo saindo e entrando. Questionamos ele: como que ela saiu se as imagens não mostram ela? Ele disse que ela teria saído do outro lado da rua. Desde então a gente não acreditou em nada mais dele”, detalhou a jovem.
TENTATIVA DE VENDA
Na manhã de terça-feira, Jackson foi à delegacia e apresentou a hipótese de sequestro. Em seguida, procurou a família e pediu a chave de uma caminhonete, além de celulares e outros eletrônicos da vítima. A intenção, segundo a familiar, era vender os itens para pagar um suposto resgate. A família recusou entregar qualquer bem.
“Na delegacia contamos nossa versão e falamos que não acreditávamos nele. Mostramos tudo o que tínhamos e ele também estava lá. Ao delegado, ele falou sobre o sequestro na casa e todos foram ver se tinha alguma coisa lá”, afirmou a parente ao Gazeta Digital.
Durante as investigações, a polícia constatou que Jackson já havia transferido R$ 18 mil da conta da vítima para a sua e anunciava a caminhonete de Nilza a terceiros.
CONFISSÃO
Jackson foi à Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes para registrar uma falsa extorsão. Os policiais desconfiaram das contradições no depoimento e, ao ser confrontado, ele confessou o crime. O suspeito indicou o local onde havia enterrado o corpo.
De acordo com a Polícia Civil, Nilza foi morta por enforcamento em outro local e transportada até o imóvel no Parque Cuiabá. Jackson cavou uma cova de aproximadamente dois metros de profundidade e enterrou a vítima no terreno onde funciona uma serralheria gerenciada por ele. O imóvel pertence a Nilza.
A familiar informou ainda que o suspeito removeu o dispositivo de gravação das câmeras de segurança da residência após o crime. “A casa é cheia de câmeras e ele alega que não gravou nada. Depois de matá-la, ele arrancou o drive da câmera de segurança”, disse.
PRISÃO
Equipes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) localizaram o corpo com auxílio de um trator. Jackson foi detido no local e encaminhado à DHPP. Ao deixar a residência algemado, não respondeu às perguntas da imprensa.
CONTEXTO
Nilza atuava no ramo imobiliário e possuía diversos imóveis na capital. Jackson não tinha emprego fixo. “Ele era sustentado por ela”, afirmou a familiar. O casal havia oficializado a união em 2024, mas passou por separação recente. A diferença de idade entre os dois era de 25 anos.
A testemunha relatou ainda que havia indícios de relação conturbada, mas não soube confirmar episódios de violência física anteriores ao crime. Nas redes sociais, Jackson mantinha publicações com declarações à esposa. “Minha melhor versão é agora com Nilza Moura”, escreveu em uma postagem no Instagram.
O corpo de Nilza foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para necropsia. O caso segue em investigação. (HNT)