Capela feita por padre que será beatificado é vandalizada em MT; suspeito é autuado (vídeo)

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Suspeito foi visto com machado; capelinha é obra realizada pelo padre Nazareno Lanciotti Foto: reprodução

A capelinha do Cruzeiro, localizada na entrada do Município de Jauru (a 409 quilômetros de Cuiabá), foi vandalizada na noite de sábado (7), e a imagem de Nossa Senhora Aparecida que ficava no local foi danificada.

Inaugurada em 1995, a construção foi abençoada pelo padre Stefano Gobbi e realizada pelo padre Nazareno Lanciotti, que será beatificado em Mato Grosso 25 anos após sua morte.

De acordo com a Polícia Civil, um boletim de ocorrência foi registrado na segunda-feira (9) por um sacerdote da cidade, relatando que a escultura de Nossa Senhora havia sido danificada. O caso foi registrado como “intolerância religiosa”.

Conforme o boletim de ocorrência, testemunhas afirmaram que um homem, usando um machado, teria quebrado a estrutura de vidro que protegia a imagem e danificado a escultura.

Uma câmera de segurança do programa Vigia Mais registrou o momento em que o suspeito se aproxima da capelinha com o machado nas mãos e, depois de permanecer por alguns segundos no local, atravessa a rua e se afasta. Ele foi identificado e autuado pela Polícia Civil por vilipêndio de objeto de culto religioso e, em seguida, liberado.

O diretor e produtor de rádio Ederson Goiaba Covizzi compartilhou o caso em suas redes sociais, mostrou o estrago causado e questionou: “Vandalismo gratuito ou intolerância religiosa?”.

“Pessoal de Jauru, manhã de segunda-feira. Estamos aqui na entrada da cidade, para quem chega de Pontes e Lacerda, no Cruzeiro. Aconteceu um ato ou de vandalismo ou de intolerância religiosa nessa capelinha onde ficava a imagem de uma santa em madeira”, disse.

Autuado

Polícia Civil autua homem que violou e danificou imagem religiosa em Jauru -

A Polícia Civil autuou um homem de 47 anos por violar e danificar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, símbolo religioso da fé católica, em Jauru, nessa segunda-feira (9.3). A ato criminoso ocorreu no dia 7 de março.

Logo que o fato foi comunicado à Delegacia de Polícia Civil de Jauru, foram iniciadas diligências investigativas com intuito de identificar e autuar o suspeito.

A imagem ficava exposta em uma pequena capela, dentro de uma caixa de vidro, localizada na entrada da cidade.

No decorrer da investigação, com auxílio de imagens de segurança do Vigia Mais, e o levantamento de informações junto a testemunhas, os policiais conseguiram chegar na identificação do agente.

Nas imagens é possível ver o homem com um machado nas mãos, em direção ao local onde a imagem da Santa estava exposta. Após o dano, ele deixa o local, ainda com o artefato nas mãos.

De acordo com o delegado responsável pela condução da investigação, Uendel Jesus, o homem alegou ter praticado o ato a mando de espíritos, e que se arrependeu de ter quebrado a imagem.

Segundo o delegado, por se tratar de crime de menor potencial ofensivo (com pena que varia entre três meses a um ano), o suspeito foi ouvido, autuado por vilipêndio de objeto de culto religioso e, em seguida, liberado, mediante assinatura de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

O machado utilizado na prática do ato foi apreendido e preservado sob cadeia de custódia.

Padre Nazareno

O padre Nazareno Lanciotti nasceu em Roma, na Itália, em 3 de março de 1940, e foi ordenado sacerdote em 1966.

Ele iniciou seu trabalho missionário em Jauru, na Diocese de Cáceres, em 1971 e, durante 30 anos de missão, fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar, além de criar 57 comunidades eclesiais rurais.

O padre foi assassinado aos 61 anos no Município de Jauru, em 11 de fevereiro de 2001.

Ele jantava com colaboradores quando a Casa Paroquial da Igreja Nossa Senhora do Pilar foi invadida por dois criminosos encapuzados.

A dupla exigiu que o padre abrisse o cofre da igreja, mas Nazareno afirmou que sua paróquia não tinha cofre.

Contrariados, os criminosos fizeram roleta-russa com as testemunhas, mas não roubaram o dinheiro que elas traziam nos bolsos.

Quando deixavam a casa, um dos assaltantes disparou na nuca do padre, e a bala alojou-se na coluna cervical.

Nazareno ficou hospitalizado por 10 dias e chegou a ser transferido para São Paulo, onde morreu em 22 de fevereiro.

O caso foi tratado como latrocínio (roubo seguido de morte), mas membros da Igreja, à época, acreditavam que o objetivo era apenas matar Nazareno.

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