UFMT afasta aluno de Engenharia por causa da ‘lista de estupráveis’
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) determinou a suspensão preventiva de um estudante do curso de Engenharia Civil investigado no caso conhecido como “lista de estupráveis”, que apura denúncias de misoginia e ameaças de violência sexual envolvendo alunos do Campus Cuiabá.
A medida foi confirmada pela instituição em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (15). Segundo a universidade, o afastamento ocorre no âmbito de um procedimento disciplinar instaurado para apurar fatos relatados por estudantes da instituição.
Além da suspensão presencial, a UFMT informou que concedeu ao acadêmico o regime de educação domiciliar, impedindo sua circulação dentro da universidade enquanto as investigações seguem em andamento.
Conforme a nota, o estudante também está proibido de manter contato com possíveis testemunhas do caso durante o andamento do procedimento administrativo.
“A medida possui caráter cautelar e visa preservar a segurança da comunidade acadêmica e o ambiente institucional durante a apuração do caso”, informou a universidade.
A decisão amplia as medidas adotadas pela UFMT desde o início da repercussão do caso, que começou após a circulação de prints atribuídos a estudantes da instituição com falas sobre “molestar” colegas e elaborar uma lista classificando mulheres como “mais estupráveis”.
Segundo a universidade, os procedimentos seguem as regras previstas na Resolução CONSUNI nº 281/2025, que institui o Regimento Disciplinar do Corpo Discente da UFMT.
A instituição afirmou ainda que todas as medidas estão sendo conduzidas com garantia do devido processo legal, ampla defesa e preservação da integridade da comunidade acadêmica.
Na nota, a UFMT também ressaltou que os fatos seguem sendo acompanhados pelas autoridades competentes, incluindo a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher.
INVASÃO E AMEAÇAS
O caso ganhou novos desdobramentos nesta semana após estudantes denunciarem que o pai de um dos investigados teria invadido o campus e ameaçado acadêmicos da Engenharia Civil. Após o episódio, a universidade suspendeu aulas presenciais do curso e reforçou a segurança interna com apoio da Polícia Militar.
Desde o início da repercussão, a UFMT instaurou procedimentos disciplinares nas faculdades de Direito e Engenharia Civil, além de manter um estudante de Direito suspenso liminarmente.
A universidade declarou que novas medidas poderão ser adotadas após a conclusão das investigações internas.
CONFIRA A NOTA NA ÍNTEGRA
“A Universidade Federal de Mato Grosso informa que acompanha integralmente os desdobramentos relacionados aos casos envolvendo estudantes dos cursos de Direito e Engenharia Civil do Campus Cuiabá, adotando todas as medidas institucionais cabíveis para apuração rigorosa dos fatos, em conformidade com a Resolução CONSUNI nº 281/2025, que institui o Regimento Disciplinar do Corpo Discente da instituição.
Desde a manifestação inicial do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito, que denunciou a existência de uma suposta “lista de alunas estupráveis”, a gestão superior da UFMT, em conjunto com as unidades acadêmicas envolvidas, passou a conduzir os procedimentos institucionais previstos na legislação interna da universidade, assegurando o devido processo legal, o direito à ampla defesa e a proteção da comunidade universitária.
No dia 14 de maio de 2026, a UFMT, por meio da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET), determinou a suspensão preventiva de um estudante do curso de Engenharia Civil, no âmbito de procedimento disciplinar instaurado para apuração de fatos relatados por estudantes da instituição.
A medida possui caráter cautelar e visa preservar a segurança da comunidade acadêmica e o ambiente institucional durante a apuração do caso. Também foi concedido ao estudante o regime de educação domiciliar, ficando vedada sua presença nas dependências da universidade, bem como o contato com possíveis testemunhas no decorrer do procedimento.
A UFMT reafirma que repudia toda e qualquer forma de violência, discriminação, misoginia, racismo, homofobia, xenofobia, etarismo e assédio moral. A instituição destaca que, desde o início da atual gestão, tem priorizado políticas de enfrentamento às violações de direitos humanos, sendo a única universidade pública do país a contar com uma Secretaria de Direitos Humanos estruturada institucionalmente, com atendimento especializado por meio da Sala de Acolhimento e escuta qualificada à comunidade acadêmica.
A universidade ressalta ainda que os fatos também estão sendo acompanhados pelas autoridades competentes, com registros realizados junto à Polícia Civil, incluindo a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher.
A Gestão Superior da UFMT reforça seu compromisso com a apuração responsável e fidedigna dos acontecimentos, evitando julgamentos precipitados e preservando os princípios democráticos e institucionais que regem a administração pública e a convivência universitária.
Tão logo as investigações sejam concluídas, a universidade adotará todas as providências cabíveis previstas no Regimento Disciplinar Discente da UFMT.
Estamos à disposição para maiores esclarecimentos. Obrigado.” (HNT)