Trecho do BRT na Fernando Correa só vai à licitação em 2027, com novo governador

Trecho do BRT na Fernando Correa só vai à licitação em 2027, com novo governador
Foto: Sinfra

A segunda parte das obras do BRT em Cuiabá, na avenida Fernando Corrêa da Costa, só deve começar a sair do papel no ano que vem. Em audiência pública realizada nesta segunda-feira (13), na Assembleia Legislativa, representantes da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) admitiram que o cronograma inicial não será cumprido. O trecho sequer foi licitado e, sob a gestão de um novo governador, mais mudanças no planejamento podem surgir.

O chamado “Lote 2” é estimado em R$ 120 milhões, conforme um edital de novembro de 2025 lançado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra). Há questionamentos, contudo, sobre o aumento brusco desse valor, já que em setembro do mesmo ano o custo era estimado em R$ 68 milhões.

“Você dizer que melhorou o sistema de ar-condicionado, que você melhorou a espessura do vidro, que construiu novas portas de acesso, isso não justifica um aumento de R$ 50 milhões, até porque a própria Sinfra diz que 90% da obra é estrutura metálica, que esse é o principal custo da construção das estações”, questionou o deputado Lúdio Cabral (PT), que é autor de representação sobre o tema junto ao Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).

O “Lote 1″, que é o trecho que liga o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, ao Centro Político e Administrativo de Cuiabá, deveria ter sido entregue em fevereiro de 2026, mas ainda está com apenas 68% das obras concluídas. O custo do projeto é estimado por lideranças da oposição em mais de R$ 1 bilhão.

A promessa do governo do Estado é entregar essa primeira parte até o fim deste ano, as três frentes de obras que estão em andamento: a pavimentação de toda a pista do modal, a construção das estações e dos terminais.

Durante a audiência pública, Lúdio recordou que, em janeiro de 2025, quando o governo do Estado decidiu romper o contrato com a empresa responsável pela obra devido aos atrasos no cronograma, havia a promessa de fracionamento da obra em vários “pedaços” e licitar para empresas diferentes. Isso não foi feito.”Houve tempo para que isso acontecesse, para que várias empresas pudessem participar, mas o fato é que o Estado resolveu fazer dispensa de licitação para todas essas etapas, com o argumento de emergência, e contratou a mesma empresa em todas as três dispensas de licitação que estão contratadas até agora”, concluiu o deputado.

O BRT foi o modal escolhido pelo ex-governador Mauro Mendes (União) para substituir o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Adiada várias vezes, a obra está prometida para dezembro de 2026. Na Bahia, os vagões do VLT, que nunca rodaram em Cuiabá, já estão em pleno funcionamento. (Gazeta Digital)