Telescópio Roman da NASA entra na reta final para o lançamento na Flórida

Telescópio Roman da NASA entra na reta final para o lançamento na Flórida
Técnicos e engenheiros dentro do Complexo de Processamento de Cargas Úteis Perigosas (PHSF) no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, rotacionam o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da agência para a posição vertical. FOTO: NASA

Por Eduardo Baldaci  Cabo Canaveral, Flórida

O Nancy Grace Roman, o próximo grande observatório espacial da NASA, atingiu um marco crucial em sua preparação no Centro Espacial Kennedy (KSC), na Flórida. Engenheiros e técnicos concluíram com sucesso a rotação do telescópio de 8,2 toneladas para a posição vertical. A manobra é o último grande passo de manuseio mecânico e processamento antes que a estrutura seja integrada para o lançamento, previsto para ocorrer a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX.

Diferente do James Webb, projetado para focar em áreas estreitas com altíssimo zoom, o telescópio Roman atuará como uma lente grande-angular cósmica. Equipado com uma câmera de 288 megapixels, o observatório capturará imagens com um campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble no mesmo intervalo de tempo. A expectativa é que, ao longo de sua missão primária de cinco anos, o Roman registre a luz de mais de um bilhão de galáxias, criando um atlas panorâmico sem precedentes do universo visível.

Foto: Reprodução/NASA

A cobertura jornalística do evento no Centro Espacial Kennedy contará com a presença do brasileiro Eduardo Baldaci, astrônomo amador e editor do Space News Hub,  um site sediado nos Estados Unidos especializado em cobrir o ecossistema espacial da NASA em língua portuguesa diretamente do KSC. A participação do correspondente reforça o interesse do público internacional pelas fases finais de montagem de uma missão avaliada em 4,3 bilhões de dólares.

Os dados coletados pelo Roman serão fundamentais para a cosmologia, especialmente no estudo da matéria escura e da energia escura, componentes invisíveis que formam cerca de 95% do universo conhecido. Ao monitorar como as galáxias distantes se agrupam e como a luz se distorce no tecido do espaço-tempo, o telescópio ajudará a mapear a expansão do cosmos. O Roman também leva ao espaço um coronógrafo ativo, instrumento projetado para bloquear a luz de estrelas distantes e permitir a fotografia direta de exoplanetas pálidos que as orbitam.

Eduardo Baldaci – Foto: Reprodução

Nas próximas semanas, a equipe técnica conduzirá testes finais de integração, pressurização e verificações de sistemas elétricos na sala limpa. Após os procedimentos, o observatório será encapsulado na coifa protetora do Falcon Heavy. O destino final do Roman será a órbita ao redor do ponto de Lagrange L2, uma região de estabilidade gravitacional localizada a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde operará protegido da radiação e do calor térmico do nosso planeta.