Situação de leitos de UTIs é crítica e MT deve ficar sem vagas em quatro dias

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O Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) publicou nota nesta sexta-feira, informando que a situação da taxa de ocupação dos leitos públicos de UTI é crítica, à margem dos 90%.

Isto é, as equipes de regulação encontram grande dificuldade para a transferência dos pacientes aos leitos de Terapia Intensiva, pois as unidades referenciadas já chegaram à lotação, contando apenas com os leitos de retaguarda – que, pela norma, deveriam ficar disponíveis exclusivamente para a assistência de emergência dos pacientes já internados em enfermaria.

A gestão estadual, em parceria com as prefeituras, trabalha na ampliação de novos leitos de UTI na baixada cuiabana e em todo o Estado, contudo, já tem dificuldades para encontrar profissionais capacitados, apesar de toda a publicidade dada aos editais de chamamento.

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Situação crítica

A taxa de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no estado de Mato Grosso chegará a 100% na próxima terça-feira (30), de acordo uma nota técnica assinada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Dificuldade de acesso a serviços de saúde no estado, baixa oferta e a maneira como os leitos estão distribuídos tendem a agravar o cenário.

O estudo aponta que embora todas as macrorregiões de saúde possuam leitos de UTI exclusivos para casos de Covid-19, estes estão distribuídos em apenas nove dos 141 municípios do estado, com grandes diferenças na possibilidade de acesso a esse tipo de leito. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FVG), Mato Grosso é o 3º estado com maior dificuldade no acesso a serviços de saúde. Por aqui, mais 30% da população leva mais quatro horas para chegar a uma unidade de saúde que ofereça atendimento de alta complexidade.

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Mapa elaborado por pesquisadores da UFMT, publicado nota técnica “Demanda por UTIs em Mato Grosso em decorrência da pandemia da covid-19: situação e projeção para as macrorregiões de saúde”.

A macrorregião Centro Noroeste, que abrange 17 municípios, todos com registro de casos de COVID-19, possui seis leitos de UTI em um único município (Juína); na Centro Norte os leitos de UTI estão localizados em Cuiabá (130) e Várzea Grande (42); a Leste, que contempla 30 municípios, conta com apenas oito leitos de UTI em Barra do Bugres; a Norte, que abrange 35 municípios e a maior em extensão territorial, tem leitos de UTI nas cidades de Alta Floresta (1), Sinop (20) e Sorriso (2); a Oeste conta com oito leitos de UTI em Cáceres e a Macrorregião Sul com nove leitos em Rondonópolis.

Fonte: Assessoria/PNB Online

 

Os pesquisadores alertam que, com as curvas de contágio em ascensão, mais gravemente nas macrorregiões Norte e Centro Norte, em poucos dias o estado deve enfrentar o colapso do sistema público de saúde, com a impossibilidade de atender adequadamente casos graves de Covid-19. A ocupação de leitos de UTI até esta quinta-feira (26) é de 87,1%. Se a taxa de contágio não for reduzida, até o final de julho, o número de infectados que necessitarão de leitos de UTI será o dobro do número de leitos de UTI disponíveis em todo o estado.

 

A falta de coesão nas decisões das esferas do poder público e a baixa adesão da sociedade ao isolamento social agravam o quadro já preocupante. Na ausência de vacina, medidas o distanciamento social são tidas por estudiosos do mundo todo como a mais efetiva ação para evitar a propagação do vírus.

 

A nota técnica intitulada “Demanda por UTIs em Mato Grosso em decorrência da pandemia da Covid-19: situação e projeção para as macrorregiões de saúde” é assinada por Ana Paula Muraro (Instituto de Saúde Coletiva), Emerson Soares dos Santos (Departamento de Geografia), Ligia Regina de Oliveira (Instituto de Saúde Coletiva), Moiseis dos Santos Cecconello (Departamento de Matemática) e Ruan Carlos Ramos da Silva (Laboratório de Geotecnologias – IFMT).