Sema proíbe Santuário de Elefantes em Mato Grosso de receber novos animais

Sema proíbe Santuário de Elefantes em Mato Grosso de receber novos animais
Kenya (à esq.) morreu no dia 16 de dezembro e Pupy (à dir.) no dia 10 de outubro Foto: Reprodução/SEB

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) suspendeu a autorização de funcionamento e proibiu temporariamente o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães (a 68 km de Cuiabá), de receber novos animais. A medida foi adotada após a entidade anunciar a morte de duas elefantas africanas, Kenya e Pupy, em um intervalo de menos de três meses.

Conforme nota emitida pela Sema, o SEB possui licença e autorização vigentes para funcionamento. No entanto, a suspensão permanecerá válida até que a instituição apresente informações e documentos sobre o cumprimento dos protocolos de biossegurança e de manejo dos animais. O material solicitado será utilizado para esclarecer as circunstâncias das mortes.

A notificação foi expedida pela Secretaria no dia 23 de dezembro. Com isso, o Santuário tem prazo de 60 dias para apresentar as informações e documentos requeridos pelo órgão ambiental.

Dias antes da notificação, em 19 de dezembro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que apurava as mortes de animais no SEB, em Mato Grosso. Segundo o órgão, a investigação teve início após a morte de quatro elefantes que viviam no santuário e faleceram em menos de um ano após a transferência para o local, sendo o caso mais recente o da elefanta Kenya.

Kenya morreu no dia 16 de dezembro. Ela havia sido transferida do antigo zoológico de Mendoza, na Argentina, para o Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães, em julho deste ano. O animal enfrentava problemas respiratórios e dores nas articulações. Após décadas vivendo quase isolada, passou por um processo gradual de socialização no Brasil e chegou a estabelecer vínculo com Pupy, que também morreu neste ano.

A morte de Pupy foi comunicada em outubro. Ela também veio da Argentina. À época, foi informado que a elefanta apresentava desconforto gastrointestinal havia alguns dias e colapsou após expelir cerca de 1,5 kg de pedras escuras, ficando visivelmente debilitada.

Diante das mortes e de especulações sobre os cuidados com os animais, o Santuário se manifestou nas redes sociais, informando que recebe elefantes que passaram décadas em cativeiro e que, ao chegarem ao local, já apresentam diversas comorbidades. A entidade afirmou que oferece todos os cuidados necessários, visando garantir qualidade de vida aos animais.

“Sabemos que muitos de vocês apoiam o santuário, compreendem o impacto devastador do cativeiro e reconhecem que as elefantas do Santuário de Elefantes Brasil recebem um nível de cuidado veterinário que não é oferecido em nenhum outro lugar da América do Sul”, diz trecho da publicação.

O SEB também garantiu que as duas mortes não têm relação entre si e que seguirá atuando com transparência, prestando todas as informações e entregando os documentos solicitados aos órgãos competentes. A instituição reforçou ainda que parte das críticas e especulações vem de pessoas que buscam desmerecer o trabalho desenvolvido.

“Existem aquelas que parecem celebrar a morte de elefantes que viviam em santuários, pois isso lhes dá a oportunidade de criar ou reforçar campanhas de propaganda contra a instituição do santuário e contra todos que trabalham para fortalecê-la”, pontuou.

Veja a nota da Sema na íntegra:
“A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) suspendeu cautelarmente a autorização de funcionamento do Santuário de Elefantes Brasil, impedindo a entidade de receber novos animais até a devida elucidação dos fatos.

Esclareceu que o empreendimento possui licença e autorização vigentes e que a medida de suspensão deve se estender até a obtenção e análise das informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança e dos padrões éticos de manejo.

A notificação foi expedida no dia 23 de dezembro. A Associação Santuário de Elefantes Brasil tem um prazo de 60 dias para apresentar as informações e documentos solicitados pelo órgão ambiental.” (Repórter MT)