Secretária de Segurança nega existência de áreas proibidas para a polícia em MT; vídeo
A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel da reserva da Polícia Militar Susane Tamanho, afirmou que não existem áreas em Mato Grosso onde as forças de segurança deixem de atuar por influência de facções criminosas. Em entrevista ao PodOlhar, videocast do Olhar Direto, ela disse desconhecer qualquer território onde a polícia não consiga entrar e chegou a desafiar quem tenha conhecimento de uma situação desse tipo a informar o governo.
“Eu vou arriscar essa minha carreira enquanto profissional de segurança pública e policial militar: eu duvido realmente que vai ter um lugar do estado de Mato Grosso onde a polícia não vai entrar. Isso nunca aconteceu aqui no Estado”, afirmou.
Segundo a secretária, a atuação das polícias Militar e Civil é pautada pela presença em qualquer região onde haja necessidade de operações, independentemente da atuação de organizações criminosas.
“Não tem um local aqui em que seja deflagrada uma operação pela Polícia Civil e a Polícia Militar fale: ‘não vou entrar porque aqui é território de facção criminosa’. Isso foi construído pela postura das forças de segurança.”
Ao comparar Mato Grosso com outras unidades da federação, Susane afirmou que o Estado possui características geográficas diferentes das encontradas em locais como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, onde existem grandes aglomerados urbanos e áreas de difícil acesso para as forças policiais.
Ela lembrou que participou de cursos de operações especiais e de patrulhamento em áreas de alto risco e afirmou que, durante toda sua carreira operacional, nunca teve conhecimento de regiões interditadas à atuação policial em Mato Grosso.
“Enquanto estive no serviço de ponta da polícia, em unidade especializada, nunca ouvi falar de um lugar em que a polícia não entrasse. Em Cuiabá nunca existiu um local onde a Força Tática ou qualquer unidade da Polícia Militar deixasse de atuar.”
A secretária reconheceu que o Estado enfrenta a atuação de facções criminosas e citou conflitos recentes registrados em municípios como Sorriso e Cáceres, motivados pela disputa por rotas e áreas estratégicas para o tráfico de drogas. Também mencionou Pontes e Lacerda como uma região que passou a despertar interesse de organizações criminosas em razão da atividade garimpeira.
Segundo ela, porém, a presença dessas organizações não impede a atuação das forças de segurança.
“Existe facção criminosa, claro que existe. Mas não tem local que a polícia não entra. Se existir algum lugar assim, manda no meu Instagram que, com certeza, a gente vai resolver isso. Eu desconheço.”
Inteligência e tecnologia
Durante a entrevista, Susane afirmou que o enfrentamento às organizações criminosas depende cada vez mais de inteligência e tecnologia. Segundo ela, as forças de segurança acompanham a estrutura das facções e monitoram constantemente a substituição de integrantes.
“A gente tem um organograma dessas facções criminosas. Sabe quem é quem, onde está, quem substituiu quem. A polícia é totalmente preparada.”
A secretária destacou que o Governo de Mato Grosso ampliou os investimentos em tecnologia desde 2019 e citou o programa Vigia Mais Mato Grosso, que atualmente conta com cerca de 17 mil câmeras em funcionamento. A expectativa é chegar a pelo menos 25 mil equipamentos ativos até o fim do ano.
Ela informou ainda que o Estado prepara a implantação de sistemas de inteligência artificial e reconhecimento facial para ampliar a capacidade de monitoramento.
“Entendemos que avançar tecnologicamente vai auxiliar as forças de segurança. Hoje somos o estado mais vigiado da América Latina e continuaremos investindo para fortalecer esse trabalho.”
Outro ponto destacado foi o fortalecimento da produção de provas por meio da Polícia Técnica (Politec). Susane citou a Operação Território Livre, realizada em Cáceres, como exemplo da utilização de perícias digitais e análise de celulares apreendidos para subsidiar investigações.
“Essas ferramentas robustecem a cadeia de custódia das provas e ajudam a colocar esses criminosos atrás das grades.”
Ao final, a secretária afirmou que os investimentos em tecnologia, inteligência e estrutura devem ampliar a capacidade operacional das forças de segurança nos próximos anos.
“Temos forças de segurança preparadas e elas ficarão ainda melhores com os investimentos que estamos fazendo na segurança pública de Mato Grosso.”
Veja vídeo:
