Racismo cresce 19,7% e injúria racial dispara 30,8% em MT, superando média nacional

Racismo cresce 19,7% e injúria racial dispara 30,8% em MT, superando média nacional
Foto: Reprodução/RD/Agência Brasil

Os registros de racismo cresceram 19,7% em Mato Grosso entre 2024 e 2025, enquanto os de injúria racial aumentaram 30,8% no mesmo período, índices superiores aos da média nacional. Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base em boletins de ocorrência.

Em todo o país, os registros de racismo cresceram 13%, enquanto os de injúria racial aumentaram 9,2%. Em Mato Grosso, foram contabilizados 906 casos de racismo e 803 de injúria racial em 2025. No ano anterior, haviam sido registrados 746 e 605 casos, respectivamente.

A legislação define como injúria racial quando a agressão é direcionada a um único indivíduo, enquanto o racismo ocorre quando a ofensa é dirigida a uma coletividade. Até 2023, a punição para a injúria era mais branda que a do racismo, com pena de um a três anos e multa. Mas uma lei equiparou os dois crimes, passando a pena para dois a cinco anos de prisão.

Além do aumento nos registros, Mato Grosso também aparece entre os estados com as maiores taxas de injúria racial do país. Foram 20,6 casos a cada 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional, de 11,2. Apenas Distrito Federal (28,9) e Santa Catarina (27,1) apresentaram índices superiores.

No caso do racismo, o estado registrou 23,3 ocorrências por 100 mil habitantes, acima da média brasileira, de 15,7. Mato Grosso ocupa uma das primeiras posições do ranking nacional, atrás apenas de Santa Catarina (32,8), Distrito Federal (30,3), Rio Grande do Sul (26,8) e Rondônia (23,5).

LGBT+ e a subnotificação

O anuário também reúne dados sobre crimes contra a população LGBTQIAPN+ por tipo de ocorrência. Em Mato Grosso, os registros de racismo por homofobia ou transfobia caíram de 14 para 6 casos entre 2024 e 2025, redução de 57,1%. Também houve queda nos casos de lesão corporal dolosa (-57,9%), homicídio doloso (-46,2%) e estupro (-88,9%).

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Os resultados seguem na direção oposta da média nacional, que registrou aumento de 35,6% nos casos de racismo por homofobia ou transfobia, de 7,3% em lesão corporal dolosa e de 1,9% em estupro.

Apesar da redução nos registros em Mato Grosso, o próprio anuário alerta que os números não devem ser interpretados como melhora do cenário. Segundo o estudo, a queda pode estar relacionada à subnotificação, já que mudanças na metodologia de coleta de dados não foram acompanhadas por alguns estados, entre eles Mato Grosso.

“Não surpreende que as Unidades da Federação com as cifras mais baixas de Racismo por homofobia ou transfobia ou que não dispõem da informação requerida são as que possuem os instrumentos de pior calibragem para a coleta desses dados”, diz trecho do levantamento.

O documento acrescenta que “Mato Grosso, que registrou somente 6 casos [em 2025], tem em seus sistemas apenas os tipos ‘crime de homofobia’, provavelmente com a pretensão de também registrar sob essas rubricas crimes perpetrados contra pessoas trans”.

Conforme publicado pelo RD News, na edição passada do Anuário, Mato Grosso quase dobrou o número de homicídios da população LGBT+ no período de um ano, saltando de sete homicídios em 2023 para 13 em 2024, representando aumento de 85,7%.

Mayke Toscano/Secom-MT

Daniela Maidel

 A delegada-geral Daniela Maidel

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (24), a delegada-geral Daniela Maidel afirmou que a Polícia Civil mantém uma coordenadoria voltada ao atendimento de grupos vulneráveis e investe na capacitação de policiais para enfrentar esse tipo de violência.

“Nós estamos sempre buscando trabalhar e atender a todos vulneráveis, todos os grupos, cada vez de maneira melhor e mais preparada. Nosso objetivo é preparar o nosso pessoal, é observar o que tem acontecido, e nunca fechar os olhos para qualquer tipo de violência e sempre ficar observando essas tendências”, declarou Maidel. (RD News)