Prepare-se! El Niño trará calor de 40ºC e chuva intensa nos próximos dias

Prepare-se! El Niño trará calor de 40ºC e chuva intensa nos próximos dias
Foto: Ilustração

A segunda quinzena de julho, sob influência do El Niño, marcará uma virada radical no tempo do Brasil. Segundo a MetSul, uma forte corrente de ar quente vai bloquear o avanço de frentes frias, trazendo um calor de até 40°C no Centro-Oeste e Sudeste, além de temporais para o Sul no restante do mês de julho.

Durante o inverno atípico que o país vivencia, uma corrente de jato trará um corredor de ventos intensos entre 1.000 e 2.000 metros de altitude se forma na Bolívia e transportará um calor intenso ao Sul. Ao chegar nesta região, esse corredor encontra frentes frias ou áreas de baixa pressão.

O contraste entre o ar muito quente e o ar frio polar gera nuvens de tempestade volumosas, resultando em chuvas intensas e até granizo.

“Essa corrente de jato expande o bloqueio, o ar quente seco que estava no centro do país na região tropical e acelera a chegada desse ar quente na direção do sul do Brasil indo até a fronteira com o Uruguai. O ar quente nessa região com uma massa de ar polar no extremo sul do continente na região da Patagônia gera contraste que forma os fenômenos meteorológicos em latitudes médios aqui”, afirmou a meteorologista formada na Universidade de São Paulo (USP), Estael Sias.

Reprodução/Ilustração

A corrente de jato faz parte de uma grande “bolha de calor” ligada ao interior do continente sul-americano, associada a áreas de baixa pressão. O vento quente, ao descer serras e planaltos, sofre compressão e eleva temperaturas com rapidez.

Devido ao bloqueio atmosférico, causado pelo contraste da frente fria no Sul com uma massa de ar quente da corrente de jato, o ar se transporta e represa para outras regiões do país, fazendo temperaturas dispararem em pleno inverno para outras regiões do país, como estados do Centro-Oeste e Sudeste.

O que é o El Niño e a influência dele na corrente de jato 
  • O El Niño é um fenômeno natural do Oceano Pacífico marcado pelo aquecimento anômalo das águas devido ao enfraquecimento dos ventos alísios.
  • Esse enfraquecimento altera a circulação atmosférica global e mantém a temperatura elevada.
  • No Brasil, normalmente provoca mais chuva na Região Sul e menos precipitação nas regiões Norte e Nordeste.
  • O El Niño potencializa esta corrente de jato por provocar modificação da circulação geral da atmosfera.
  • Com isso, ventos que sopram das regiões tropicais em direção ao sul apresentam mais intensidade

Impacto do calor resulta em chuvas no Sul

No começo da segunda quinzena de julho, o ar muito quente predomina no Sul, com marcas até 10ºC a 15ºC acima da média em alguns dias. Na sequência, com chuva, mesmo sem extremos de máximas, mínimas e máximas seguirão acima da média na região.

Segundo o MetSul, no Centro-Oeste e no Sudeste, sob uma massa de ar quente seco, o calor será a marca desta segunda metade do mês. No Mato Grosso, a maioria dos dias desta segunda quinzena de julho podem ter máximas de 35ºC a 40ºC. Mato Grosso do Sul e Goiás também podem sofrer com altas temperaturas.

No Sudeste, em áreas de, São Paulo e Minas Gerais o calor pode agravar. O MetSul aponta que a cidade de São Paulo terá dias consecutivos com termperaturas máximas, em torno e acima e 30ºC no restante de julho.

Já no Rio de Janeiro, a previsão é de muitos dias de calor mais forte, a partir da semana que vem e Espírito Santo deve permanecer sob predomínio seco e temperaturas acima da média. Belo Horizonte também deve esquentar de forma acentuada no mesmo período.

Seca predomina no Norte e no Nordeste

O Norte deixou o período chuvoso em maio deste ano, após passar pelo inverno amazônico que se estende do mês 12 ao mês 5. Com o verão amazônico, há uma diminuição da chuva na região, no entanto, não é descartada a possibilidade de pancadas isoladas em determinadas partes de Amazonas e Roraima.

Na região Nordeste, a chuva é irregular e com baixos volumes na maior parte das áreas no interior. Conforme o MetSul, o alerta é destinado à costa litorãnea do Nordeste, que pode ter volumes altos e transtornos, sobretudo entre os litorais da Paraíba e Rio Grande do Norte. (Metrópoles)