Motorista de Land Rover que matou criança de 4 anos estava com CNH suspensa por dirigir bêbado; alegou que rua estava escura
O motorista Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, preso após provocar o atropelamento que matou o menino Gabriel Gustavo dos Santos da Fontura, de 4 anos, dirigia com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa em razão de uma infração anterior por embriaguez ao volante. O caso ocorreu no sábado (12), em Sorriso (397 km de Cuiabá), Norte de Mato Grosso. Ele alegou que a rua estava escura no momento do acidente (veja abaixo).
A informação consta na decisão que converteu sua prisão em flagrante em preventiva. Conforme o documento, o direito de dirigir estava suspenso desde 16 de abril deste ano em decorrência de uma autuação registrada em maio de 2025, quando ele foi flagrado conduzindo veículo com 0,26 miligrama de álcool por litro de ar.
Na avaliação do juiz Lener Leopoldo da Silva Coelho, o histórico demonstra que o investigado ignorou deliberadamente a punição aplicada pelo Estado e voltou a dirigir, mesmo proibido. “Ao ignorar deliberadamente a sanção que lhe proibia de conduzir veículo automotor e voltar às ruas sob efeito de álcool e em velocidade excessiva, o autuado demonstrou total desprezo pelas instituições estatais, pelo ordenamento jurídico e pela vida humana”, afirmou.
O magistrado também destacou que os elementos da investigação apontam que, no atropelamento que matou a criança, o motorista teria novamente ingerido bebida alcoólica antes de dirigir. Segundo a decisão, essa conclusão inicial é baseada em depoimentos colhidos durante a investigação, na recusa ao teste do etilômetro e nas imagens das câmeras de monitoramento.
Para o juiz, o caso evidencia uma sequência de desrespeito às normas de trânsito. “Não se trata de mera suposição. O autuado já havia sido advertido, multado e suspenso por conduta idêntica à que resultou na morte de uma criança e, mesmo assim, voltou a praticar a mesma conduta, agora de forma ainda mais grave.”
Ao final da decisão, o magistrado afirma que a própria suspensão da CNH demonstrou ser ineficaz para impedir novas infrações. “Quem descumpre a interdição administrativa do órgão de trânsito não guardará respeito por medida cautelar substitutiva diversa da prisão”, escreveu ao concluir que apenas a prisão preventiva seria capaz de resguardar a ordem pública.
Relembre o caso
O atropelamento aconteceu por volta da 1h de sábado, na Avenida Blumenau. Conforme a Polícia Militar, o Palio em que estavam a criança, a mãe e o padrasto reduziu a velocidade para estacionar quando foi violentamente atingido na traseira pela Land Rover.
Gabriel Gustavo sofreu múltiplos traumatismos, foi socorrido em estado gravíssimo, mas morreu no Hospital Regional de Sorriso. A mãe permanece internada em estado grave, enquanto o padrasto sofreu ferimentos menos graves.
O motorista da Land Rover recusou realizar o teste do bafômetro e foi preso em flagrante.
Veja vídeo:
Motorista de Land Rover que matou criança de 4 anos alega que rua era escura e não conseguiu enxergar carro da vítima
O motorista Gabriel Dombski Welter, de 21 anos, preso por bater na traseira de um Fiat Palio e causar a morte de Gabriel Gustavo dos Santos, de apenas 4 anos, alegou, durante depoimento na delegacia, que a Avenida Blumenau, onde ocorreu a colisão, era escura e, por isso, não conseguiu enxergar o carro em que a vítima estava com a família. Ele dirigia uma Land Rover e foi preso logo após o acidente, ocorrido na madrugada de domingo (12), em Sorriso.
“No meio do caminho, eu estava descendo a Blumenau na mão direita. Eu não me lembro da velocidade em que eu estava e, aparentemente, o outro carro estava sem sinalização. […] O carro estava em uma esquina, em um lugar bem escuro. […] Foi embaixo daquela escuridão que eu não consegui enxergar. Eu não me lembro como ele entrou na minha frente ou como ele saiu”, relatou.
No depoimento, Gabriel também afirmou que não se lembrava da velocidade em que trafegava pela avenida e disse que o veículo em que a criança estava com os pais estaria sem sinalização. Questionado sobre a suspeita de dirigir sob efeito de álcool, ele negou que estivesse embriagado, embora tenha se recusado a fazer o teste do bafômetro no dia da ocorrência.
Durante o relato, Gabriel contou que havia saído de casa para encontrar amigos e que, posteriormente, retornava para casa. Segundo ele, não viu o carro da família e só percebeu a colisão no momento do impacto. O motorista afirmou ainda que desceu do veículo para prestar socorro às vítimas e permaneceu no local até a chegada da polícia.
“Eu só me lembro da hora do impacto. Eu desci do carro e fui prestar socorro imediatamente. Eu só pensei nas vítimas”, afirmou.
Gabriel passou por audiência de custódia ainda no domingo, quando teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. Na decisão, o juiz plantonista Lener Leopoldo da Silva Coelho afirmou que há elementos suficientes para manter o investigado preso pelos crimes de homicídio doloso consumado contra a criança e tentativa de homicídio contra a mãe e o padrasto dela.
Na decisão, o magistrado destacou que Gabriel assumiu o risco de produzir o resultado ao conduzir o veículo em alta velocidade em uma das principais avenidas da cidade e, conforme depoimentos reunidos pela investigação, após ingerir bebida alcoólica.
Além de responder pelo caso, Gabriel já possui histórico de infrações de trânsito. Ele estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa em razão de uma infração anterior por embriaguez ao volante. A suspensão passou a valer em 16 de abril deste ano, em decorrência de uma autuação registrada em maio de 2025, quando foi flagrado dirigindo com 0,26 miligrama de álcool por litro de ar expelido.
Caso
O acidente que matou Gabriel Gustavo dos Santos, de 4 anos, ocorreu por volta da 1h de domingo (12), na Avenida Blumenau, em Sorriso. Conforme a Polícia Militar, o Fiat Palio em que estavam a criança, a mãe e o padrasto reduziu a velocidade para estacionar quando foi violentamente atingido na traseira pela Land Rover conduzida por Gabriel Dombski Welter.
A criança sofreu múltiplos traumatismos, foi socorrida em estado gravíssimo, mas morreu no Hospital Regional de Sorriso. A mãe permanece internada em estado grave, enquanto o padrasto sofreu ferimentos leves. (Repórter MT)