Fim de briga de facções faz cair em 50% homicídios na Grande Cuiabá

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Apesar do medo e da sensação de insegurança vivenciada por grande parte da população, a violência caiu pela metade na Grande Cuiabá na última década, atingindo o menor patamar em 15 anos.

O pesquisador Naldson Ramos, especialista em violência, afirma que a redução se deve também a outros fatores. Um deles é o predomínio do Comando Vermelho, que dizimou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e passou a ser hegemônico na Grande Cuiabá, colocando fim a qualquer tipo de desavença entre facções.

Entre os anos de 2010 e 2019, o número absoluto de homicídios na Grande Cuiabá caiu 53,8%.

Há dez anos, a Polícia Civil havia registrado 310 assassinatos nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Em 2019, foram 143. A queda se deu nas mesmas proporções nos dois municípios quando os números são observados separadamente.

Em Cuiabá, os homicídios caíram de 199 em 2010 para 93 no ano passado, uma redução de 53,26%. Em Várzea Grande, o tombo foi de 54,95% – de 111 para 50 casos.

Quando observada a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que é o parâmetro usado no mundo inteiro, a queda é ainda maior, já que no período houve redução nos números absolutos de mortes e aumento na população.

MidiaNews

Naldson Ramos

O sociólogo Naldson Ramos: redução é resultado de uma soma de fatores

Em 2010, houve em Cuiabá 36,1 homicídios para cada grupo de 100 mil moradores. Em 2019, esse indicador desabou para 15,18, uma queda de 58,53%.

Várzea Grande experimentou redução ainda maior: de 43,94 para 17,54 assassinatos por 100 mil. Isso representa uma redução de 60,08%.

Fatores

Na análise do sociólogo Naldson Ramos, integrante do Núcleo de Pesquisa de Violência e Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a redução nos números se dá por diversos motivos.

O especialista citou um dos fatores alheio à política de Segurança Pública, que é a domínio imposto pelo C.V. na região.

“O Comando Vermelho, praticamente, limou o PCC do Estado. Eles não têm mais disputa de territórios entre eles. Não que o PCC tenha desaparecido por completo, mas perdeu influência nos territórios hoje dominados pelo C.V.”, afirmou ao MidiaNews.

Naldson ainda apontou que houve a neutralização de grupos criminosos no Estado, como foi o caso do “Novo Cangaço”, e dos crimes de pistolagem, investigados na Operação Mercenários, em 2016.

Os diversos trabalhos de integração das forças de Segurança Pública, a contratação de novos policiais e o investimento no trabalho de inteligência das forças policiais são outros pontos levantados pelo sociólogo.

“Outro fator, é a questão RISP, que a Região Integrada de Segurança Pública, que tem a participação integrada da Policia Civil, Policia Militar, sociedade civil, Polícia Técnica, Bombeiros. Nas cidades que tem Guarda Municipal também há a participação, para discutir e debater os crimes que ocorrem nessas regiões”, disse.

Mesmo com a baixa significativa, para o sociólogo os números ainda continuam altos.

Segurança Pública

Para o secretário adjunto de Integração Operacional da Secretaria de Segurança Pública, coronel Victor Fortes, três fatores podem explicar essa redução.

“Primeiro, a integração das forças policiais no combate a esse tipo de crime. A PM e a Polícia Civil estão trabalhando de forma integrada. Isso fortalece e inibe muito a prática desses crimes”, disse.

Ainda conforme o militar, outro fator é o monitoramento “praticamente diário dos índices de homicídio”. “Se a gente percebe que algum município ou alguma região que o número foge da meta estabelecida, a gente já designa uma ação pontual na região”, afirma.

“Outro fator muito importante também é a confiança da sociedade, que passou a denunciar mais. Então eles começaram a acreditar mais no serviço das polícias. E à medida em que há algum crime de homicídio, nós conseguimos no disque-denúncia informações sobre a autoria”, completou.

Fonte: Midianews