Ex-namorada, policial denuncia ex-desembargador de MT por ameaça

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A escrivã M.P, de 38 anos, que mora em Tangará da Serra, a 240 km de Cuiabá, denunciou as ameaças feitas por seu ex-namorado, o ex-desembargador Evandro Stábile. Segundo ela, os dois tiveram um relacionamento de quase um ano, que terminou por conta a violência verbal e ameaças que ele exercia no relacionamento.

Segundo Micheli, os dois se conheceram por intermédio de um amigo em comum em junho de 2019. Desde então, mantiveram um relacionamento amoroso sério.

Na época, ele usava tornozeleira eletrônica, pois tinha deixado a prisão recentemente, onde cumpria pena, acusado de venda de sentenças. “Para ele ir para Tangará, tinha que pedir autorização na Justiça. Ele ficava na minha casa. E quando ele não vinha, eu viajava para Cuiabá toda semana para ficar com ele. Vivíamos como marido e mulher”, afirmou ela.

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Micheli conta que Stábile é muito inteligente e romântico. Galanteador, gosta de mandar flores e, por isso, ela se apaixonou, mesmo conhecendo a história dele. “Eu achava que tinha tinha cometido um erro na Justiça e que ele mudaria, que precisava de uma chance de mudar. Quando ele não estava sob influência de álcool eu achava que tudo ficaria bem e ele mudaria”, comentou.

Entretanto, segundo a escrivã, o namorado sempre se mostrou muito possessivo, especialmente quando fazia consumo de bebida alcoólica. Nessas ocasiões, ele se tornava agressivo e a agredia verbalmente. “Com o tempo, ele me contou que não se relacionava com os filhos, que a filha tinha uma medida protetiva contra ele. Aí isso começou a chamar a minha atenção. Ainda assim, eu tentei perdoar, manter o relacionamento”, relatou.

Micheli afirmou que a crise no relacionamento chegou quando a quarentena, em razão do novo coronavírus, foi imposta. Nesse período, eles permaneceram juntos mais tempo. “Nós ficamos 15 dias sem sair de casa. Ele foi para Tangará ficar na minha casa. O tempo em que ele permaneceu lá, eu não podia mexer no celular, ou assistir TV ou conversar com os meus filhos, porque ele dizia que eu não estava dando atenção a ele que, por isso, iria embora”, declarou.

OUTRO LADO

O ex-desembargador também registrou um boletim de ocorrência contra a escrivã. Segundo ele, o carro que ela alega ter recebido de presente, na verdade, foi emprestado.

Stábille informou que o veículo está em nome de sua empresa e foi cedido para a então namorada porque ela havia acabado de fazer uma cirurgia e o carro era automático.

O ex-magistrado colocou que, após o término, entrou em contato com ela para recuperar o carro, mas que o pedido foi negado. Ele afirma ainda que os dois eram apenas namorado, mas ele detinha expectativa de um relacionamento duradouro com a escrivã. “Fiz todas essas gentilezas devido a promessa de um relacionamento amoroso duradouro e a constituição de uma nova família”, falou.

A juíza da Primeira Vara Criminal de Tangará da Serra, Edna Ederli Coutinho, após receber o boletim de ocorrência registrado pela policial aplicou medidas protetivas de urgência em favor da vítima. Entre elas, está o fato dele não poder se aproximar da ex-namorada e de sua família. Também está impedido de ir a casa dela. “As medidas protetivas de urgência, por sua própria denominação, pressupõem situação de conhecimento imediato, risco atual ou iminente agressão”, diz a decisão que aponta que as medidas têm validade de seis meses.

OPERAÇÃO ASAFE

Evandro Stábile foi condenado a seis anos de prisão em regime fechado por venda de sentença e chegou a ficar preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC). Atualmente, cumpre liberdade condicional.

De acordo coma as investigações, ele negociava a cobrança de propinas para beneficiar a parte que mais lhe pagasse em decisões judiciais. O ex-desembargador acabou afastado de suas funções pelo STJ em 2010.

O esquema de venda de sentenças no Judiciário de Mato Grosso ficou conhecido publicamente em decorrência das investigações da Polícia Federal, perpetradas no âmbito da Operação “Asafe”. A ministra Nancy Andrighi foi a relatora da ação penal proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-magistrado. Segundo ela, Stábile cobrou propina para manter um prefeito no cargo quando atuava no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT).

No dia 1º de abril deste ano, o presidente e desembargador do TJ-MT, Carlos Alberto Alves da Rocha, determinou a perda do cargo de Evandro Stábile, aposentado compulsoriamente em 2016, após uma condenação por venda de sentenças ocorrida em 2010.

O presidente do TJ-MT fez cumprir a decisão da Ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nancy Andrighi, que em fevereiro de 2016 revogou a decisão do próprio TJ-MT, que aposentou Stábile compulsoriamente.

Fonte: Folhamax