Comando Vermelho usa drones de até R$ 200 mil para transportar armas e drogas no Rio
A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro identificou que integrantes da facção Comando Vermelho (CV), sediados no Complexo do Alemão, estão utilizando drones de grande porte para o transporte de armas e drogas entre comunidades da capital fluminense. Segundo o setor de inteligência, os equipamentos são avaliados em mais de R$ 200 mil cada e representam uma nova estratégia logística do tráfico.
As investigações apontam que os drones possuem cerca de três metros de comprimento e foram originalmente desenvolvidos para atividades agrícolas, como pulverização de lavouras. Adaptados pelos criminosos, os aparelhos têm capacidade para transportar até 80 quilos de carga — o equivalente a aproximadamente 20 fuzis — e autonomia para percorrer até 12 quilômetros sem necessidade de pouso.
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De acordo com a polícia, a tecnologia permite que a facção faça o deslocamento rápido de armamentos, entorpecentes e outros materiais entre áreas sob seu domínio, reduzindo os riscos de interceptação por vias terrestres.
O mapeamento realizado pelos órgãos de segurança identificou possíveis rotas estratégicas utilizadas pelos criminosos. Entre elas estão conexões diretas entre o Complexo do Alemão e comunidades como Cidade de Deus, Jacarezinho, Complexo do Lins e Complexo do Chapadão. Na Zona Oeste, os equipamentos também poderiam ser empregados para ligar a Gardênia Azul, em Jacarepaguá, à comunidade da Muzema, no Itanhangá.
Outro ponto de atenção das autoridades é o possível uso dos drones para abastecer bases operacionais utilizadas no planejamento de invasões contra a comunidade de Rio das Pedras, região controlada por grupos milicianos.
Imagens captadas por uma aeronave da Polícia Militar registraram traficantes realizando testes com um dos drones em uma área aberta do Complexo do Alemão. A Subsecretaria de Inteligência informou que o foco atual das operações é localizar e interceptar os equipamentos antes que o transporte aéreo de armas e drogas se consolide como uma rota permanente da facção.
Os treinamentos com os veículos aéreos não tripulados estariam ocorrendo em uma área próxima ao Complexo da Penha, região considerada um dos principais redutos do Comando Vermelho e onde estariam escondidos integrantes da cúpula da organização criminosa.
Entre os líderes apontados pelas autoridades como foragidos e com atuação na região estão Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca; Carlos da Costa Neves, o Gardenal, apontado como responsável pela segurança e expansão da facção em Jacarepaguá; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, identificado como gerente-geral do tráfico; e Luciano Martiniano da Silva, conhecido como Pezão. (Folha do Estado)