Animais invadem casas e impõem medo em comunidade ribeirinha de Cuiabá
Na tradicional comunidade São Gonçalo Beira-Rio – região do Coxipó da Ponte -, um dos pontos de turismo histórico e gastronômico mais importantes de Cuiabá, a rotina de muitos moradores está mudando com a “invasão” de animais. Os macacos, que antes eram presença pacífica e em menor número, começam a impor medo.
A frequência de animais peçonhentos nos ambientes domésticos, especialmente cobras, também aumentou e preocupa os moradores. Nas margens do Rio Coxípo, um dos afluentes do Rio Cuiabá, a reportagem identificou dezenas de condomínios verticais em construção.
A comunidade São Gonçalo Beira-Rio é banhada pelos dois rios. Começa sendo banhada pelo Coxipó; depois, a partir do ponto de deságua desse rio, se estabelece à margem do Rio Cuiabá.
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A frequência de animais peçonhentos nos ambientes domésticos, especialmente cobras, também aumentou e preocupa os moradores. Há moradores que acreditam que a urbanização da região, com construções perto de áreas de mata ciliar, pode ter a ver com esse aumento de animais nos ambientes domiciliares.
“Moro aqui há 26 anos, nunca havia visto tantos animais em nossa casa”, diz Paulo Sérgio Pedro de Barros.
Ele explica que quando se mudou para a comunidade, em 2000, atraído pelo desejo de constituir família em meio à natureza e tranquilidade, vez ou outra, bichos como macacos se aproximavam de sua casa.
“Olha, os macacos agora tomaram conta daqui de casa. Os bichos são bonitinhos, mas nos impõem medo”, confessa ele. “Eles chegam com fome, comendo de tudo que encontram. Banana, então, comem mais que a gente”, observa Paulo, que mora com a mulher e dois filhos.
“Também já vimos vários tatus correndo por aqui no quintal. Sem falar que direto a gente encontra capivaras mortas atropeladas na avenida”, observa Paulo Sérgio. “Tem prédios sendo construídos por todos os lados. O ser humano invadiu tudo. Que tristeza!”, lamenta ele.
Na casa vizinha à de Paulo, da moradora Dadá Pereira, os macacos chegam em bando de cinco ou mais. Em nota, a Prefeitura respondeu, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, especificamente sobre o Horto.
Em um dos trechos, diz: “Os animais que compõem a fauna do espaço são bem servidos de alimentos típicos do habitat natural, como frutos, folhas e raízes para os roedores”.
Mais adiante, escreveu: “São mantidas árvores frutíferas para atender as diversidades de espécies e não é cedida alimentação extra devido às recomendações para preservação de seus hábitos naturais”.
Disse ainda que, no local, há abundância e acesso fácil à água, sem a necessidade de os animais buscarem fora do Horto Florestal.
Concluindo, informou que, em virtude da incidência de animais transitando nas proximidades, há estudos, para projetos futuros, dentro da proposta macro de requalificação do Horto Florestal, construir passagens subterrâneas e aéreas em avenidas. (Diário de Cuiabá)
