Eraí diz que MT será melhor que Paraguai para atrair indústrias: ‘Temos matéria-prima e energia sobrando’
O produtor rural e mega-empresário Eraí Maggi afirmou que Mato Grosso tem condições de se tornar um polo industrial mais competitivo que o Paraguai na cadeia do algodão. A declaração foi feita ao comentar o movimento de empresas brasileiras que têm transferido parte da produção para o país vizinho em busca de menor carga tributária, energia mais barata e custos operacionais reduzidos.
Segundo levantamento do Poder360, o Paraguai atraiu 232 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro do regime de maquila, modelo que permite a companhias estrangeiras produzirem no país com incentivos fiscais voltados principalmente à exportação. O tema ganhou força no setor produtivo brasileiro porque parte dessas empresas deixou de produzir no Brasil para aproveitar as vantagens oferecidas pelo país vizinho.
Questionado sobre a concorrência do Paraguai, Eraí minimizou o impacto e afirmou que Mato Grosso tem espaço para competir e superar o país vizinho na atração de indústrias.
“Paraguai não tem problema. Nós aqui temos lá, o Paraguai está lá, faz para lá. Tem espaço para eles também. Não tem problema nenhum. Aqui vai ser bem melhor que no Paraguai. Eu tenho certeza disso, porque nós temos a matéria-prima. Nós temos o produto”, afirmou.
A fala ocorre em meio à tentativa do Governo de Mato Grosso de verticalizar a cadeia do algodão, ou seja, deixar de ser apenas produtor da pluma e passar a transformar a matéria-prima dentro do próprio estado em fios, tecidos, malhas, roupas e outros produtos industrializados.
Eraí defendeu que Mato Grosso tem vantagens logísticas e produtivas para se consolidar como polo têxtil. Segundo ele, além de produzir a maior parte do algodão brasileiro, o estado possui energia disponível e posição geográfica estratégica para abastecer outras regiões.
“Aqui nós vamos ter energia, já temos energia sobrando, com excedente. Temos todas as condições de fazer. E temos muito mais próximo aqui do Norte, do Acre, da Rondônia, da Amazônia, da Bolívia, Manaus e Pará. Então, o Mato Grosso vai abastecer tudo aqui. O Mato Grosso vai ser um polo”, disse.
O empresário também citou a ampliação da malha aérea como um fator importante para fortalecer o ambiente de negócios. Segundo ele, companhias aéreas já avaliam novas rotas e conexões a partir de Mato Grosso, o que ajudaria na circulação de empresários, compradores e visitantes.
“Vai ter linhas aéreas aqui acontecendo. A Azul esteve aqui ontem para fazer um polo centro aqui. Agora já vamos ter voo mais cedo para São Paulo, às seis horas da manhã, que nós não tínhamos. Vai passar em Congonhas, dois voos. Temos para Brasília melhorando também. Quer fazer voo interno em todo Mato Grosso”, afirmou.
Eraí também relacionou o avanço da indústria têxtil ao Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá. Para ele, o espaço poderá funcionar como vitrine para produtos fabricados no estado, especialmente durante eventos de grande circulação de público.
“Temos o Parque Novo Mato Grosso. As pessoas vêm visitar o parque, vêm andar com suas famílias, e já vão querer comprar uma roupa produzida direto da fábrica. Aqui vai ter as fábricas”, declarou.
O produtor afirmou ainda que o projeto depende de uma articulação ampla entre governo, Secretaria de Fazenda, deputados, secretários e produtores. Ele comparou a estratégia com o processo de agregação de valor já visto em outras cadeias produtivas do estado, como soja, milho e gado.
“O governo Pivetta, a Secretaria de Fazenda, os deputados, os secretários e produtores vão estar todos imbuídos em fazer essa produção e fazer essa geração de emprego, como aconteceu com o milho, com a soja, com o gado, transformando tudo e gerando emprego. Nós vamos fazer com o algodão também, porque nós produzimos 70% do algodão do Brasil aqui em Mato Grosso”, disse.
A avaliação de Eraí vai na mesma linha do programa lançado pelo Governo do Estado para fomentar a industrialização do algodão em pluma produzido em Mato Grosso. A proposta é permitir que produtores transfiram créditos acumulados de ICMS para indústrias têxteis instaladas no estado, reduzindo custos e tornando a produção local mais competitiva.
Na prática, o governo tenta evitar que Mato Grosso continue exportando apenas matéria-prima e perdendo a oportunidade de gerar empregos industriais dentro do próprio território. O desafio será competir com países como o Paraguai, que já atraem empresas brasileiras com carga tributária menor, energia mais barata e regras trabalhistas mais leves.
Apesar disso, Eraí sustenta que Mato Grosso tem um diferencial que o Paraguai não possui na mesma escala: a produção da matéria-prima. Para ele, o estado reúne algodão, energia, localização estratégica e apoio político para transformar a cadeia têxtil em uma nova frente de desenvolvimento econômico.
“Vai ser toda a sociedade. Tem espaço para eles também, mas aqui vai ser bem melhor que no Paraguai”, afirmou. (Estadão de MT)
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