Moradores denunciam surto de hanseníase em distrito de MT; escola estaria contaminada

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Um aluno da Escola Municipal Professora Elba Xavier Ferreira, no distrito de Água Fria, em Chapada dos Guimãraes, testou positivo. Foto: Google Street View/SMS RJ

Moradores do distrito de Água Fria, em Chapada dos Guimarães (65 km de Cuiabá), denunciaram ao HNT a suspeita de surto de hanseníase na região. Os casos estariam concentrados na Escola Municipal Professora Elba Xavier Ferreira, que atende a educação infantil com turmas de quatro a cinco anos e Ensino Fundamental. Apuração da reportagem confirmou que os alunos foram submetidos a testes e até o momento apenas um caso foi confirmado.

Os servidores ligados a Secretaria Municipal de Saúde responsáveis pelos exames explicaram aos funcionários da escola que a bactéria Mycobacterium leprae, também conhecida como bacilo de Hansen, causadora da hanseníase, não pode ser identificada em pacientes com menos de cinco anos. Por isso, somente as classes do Ensino Fundamental foram submetidas às testagens.

Os profissionais também repassaram que o monitoramento é feito em outras escolas de Chapada para descartar a formação de uma epidemia.

Em contato com uma família, confirmamos que o primeiro caso no distrito foi de um idoso de 63 anos. A esposa do paciente informou que ele estava com os pés inchados, foi ao médico e ao ser examinado, recebeu o diagnóstico de hanseníase. Como a hanseníase é uma doença contagiosa que é passada após contato por período prolongado com a pessoa infectada, a mulher de 48 anos também testou positivo.

A doença foi confirmada em seguida no cunhado do idoso, sua irmã e dois sobrinhos menores de idade moradores do distrito. A região de Água Fria é isolada, ficando a 38 km do Centro de Chapada.

OUTRO LADO

HNT contatou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Chapada dos Guimarães e questionou sobre as notificações de casos de hanseníase no município, mas até o momento não obteve retorno.

O QUE É HANSENÍASE

A hanseníase provoca manchas na pele e afeta a qualidade de vida dos pacientes que lidam com dormência, perda da sensibilidade e, nos casos mais severos, a amputação partes do corpo. A doença tem cura. O tratamento é gratuito e disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Por décadas, os pacientes sofreram preconceito quando a doença era chamada de lepra e aqueles que testavam positivo eram isolados do convívio social, sendo forçados a morar “hospitais-colônias”. (HNT)