Turistas de MT ficam ‘presas’ na Bolívia sem comida e hospedagem

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A mato-grossense de Tangará da Serra Danielly Paola e sua mãe, Luzia Leite, estão ‘presas’ na Bolívia desde a última quarta-feira (11). Elas foram fazer um passeio no Salar de Uyuni, mas, quando voltaram, descobriram que um protesto havia fechado todas as rotas de saída do local. Junto a outros turistas, elas ficaram sem ter onde dormir ou o que comer, e agora têm como esperança um vôo solidário organizado por algumas embaixadas. Segundo as últimas informações, elas estariam tentando passar pela fronteira de carro, já que não é certeza que o vôo vai acontecer. A história foi compartilhada no grupo ‘Mochileiros’, no Facebook, e confirmada pela garota ao Olhar Direto.

Salar de Uyuni (ou Salar de Tunupa) é o maior e mais alto deserto de sal do mundo, com 10.582 quilômetros quadrados e a 3.656 metros acima do nível médio do mar. Ele está localizado nos departamentos de Potosí e Oruro, no sudoeste da Bolívia, perto da borda da Cordilheira dos Andes.

“Oi galera, me chamo Danielly e eu e minha mãe estamos presas no Uyuni!”, assim começa o depoimento da garota. “Na quarta chegamos do passeio do salar e nos falaram que teria um ônibus as 22h para sairmos da cidade porque teriam barreiras, o ônibus nunca veio, as agências nos deixaram na rua para que não levassem multas dos sindicatos. Ficamos perdidos com todas as hospedagens fechadas e nada aberto para comer. Graças a Deus o dono de um restaurante abriu as portas para que não ficassem os no frio de -4 graus e nos deu cobertas para dormimos no chão”.

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Na quinta-feira (12), segundo Danielly, uma das agências deu sopa para que elas pudessem se alimentar. Por volta das 16h, cerca de 150 turistas fizeram um abaixo-assinado, e foi informado que os estrangeiros seriam evacuados. “Fomos para a praça das armas, onde ficamos em fila ao relento por mais de 3 horas. Entramos nos ônibus, mas eles não saíram do lugar. Ficamos lá até às 2 da manhã quando, nos falaram que iriam tirar os turistas nos carros dos tours, por um preço cinco vezes mais caro. Tentamos, até às 6:30 da manhã, sem sucesso. Os bloqueios não cederam”, continua.

No mesmo dia, um hostel abriu as portas para recebê-los, e elas finalmente conseguiram banheiro e wi-fi, mas ainda não tinham o que comer. A informação é de que o protesto pode durar 1, 5 ou dez dias. Ou seja, não há definição.

“Não tem ônibus, trem, voo, imprensa e polícia. Estamos com pouco dinheiro. Falei com a embaixada em La Paz, nos disseram apenas para esperar, não fizeram nada. Falei com um WhatsApp da embaixada no Brasil, falaram que não tem o que fazer. Somos reféns de um protesto no Uyuni e estamos largadas a nossa própria sorte, sem saber o que fazer, toda ajuda é bem-vinda, só queremos ir para casa”, lamenta.

Após algum tempo, a embaixada do Brasil em La Paz entrou em contato com elas novamente, afirmando que um vôo solidário sairia às 23 horas desta sexta-feira (13). “No entanto, temos que ir para o aeroporto andando, porque disseram que estão apedrejando os carros que chegam lá (3km). E o voo sai apenas às 23h. As agências se reuniram e estão dando comida pra gente na praça”, contou Danielly.

A última informação postada pela garota foi: “Estamos em carros tentando passar a fronteira, policiais estão juntos”, disse. “Sobre o vôo, não é certeza porque as embaixadas que estão organizando e tem que ter 120 pessoas confirmadas. Como não tem, é um risco. Por isso decidimos pegar os carros e tentar. Se não der certo voltaremos a tempo de tentar o voo. Estamos em seis brasileiros”.

Fonte: Olhar Direto