Tenente do Bombeiros será julgada por morte de aluno em treinamento

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O julgamento da tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur de Souza Dechamps, acusada de tortura, com resultado morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, será no dia 21 de janeiro de 2021, às 13h, na 11ª Vara Criminal de Cuiabá Especializada em Justiça Militar.

A data foi marcada em outubro do ano passado, após mais de 4 anos da morte do aluno.

O júri será conduzido pelo juiz Marcos Faleiros e Ledur será julgada por um corpo de juízes-militares que compõe a Vara.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE) denunciou a oficial pela morte do aluno que fazia o curso de formação do Corpo de Bombeiros Militar (CBM).

No dia 10 de novembro de 2016, durante o treinamento de atividades aquáticas, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, Rodrigo foi submetido a “intenso sofrimento físico e mental com uso de violência”.

A atitude teria sido a forma utilizada pela tenente para, supostamente, punir Rodrigo por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

O caso se arrasta desde 2016, Ledur apresentou diversos atestados médicos para não comparecer ao juízo, até que em março do ano passado prestou depoimento.

Ela alegou que Rodrigo tinha um “descontrole emocional com a água”, que deu toda a ajuda para superar os problemas, mas que próximo à formatura não podia mais ficar ensinando.

Abuso de autoridade

Durante depoimento na fase de inquérito, um dos colegas de Rodrigo Claro relatou que em um determinado momento do treinamento ele estava com a cabeça baixa, reclamando de muita dor de cabeça, olhos vermelhos e vomitando água e que, mesmo assim, as atividades não foram interrompidas.

“O aluno chegou a se jogar no chão na posição fetal e com as pernas encolhidas por não conseguir ficar em pé. Nesse momento, a tenente teria humilhado-o perante todos”, disse.

“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso com diversas ofensas e xingamentos humilhantes à vítima menoscabando sua condição de aluno”, apontou o MPE.

Sem auxílio

Rodrigo foi autorizado a deixar o treinamento, mas teve que voltar sozinho para o Corpo de Bombeiros, no bairro Verdão, com sua moto.

No local do treinamento não havia nenhuma ambulância para prestar socorro.

Ao chegar ao batalhão, foi levado para a UPA Verdão, onde passou a convulsionar.

Foi transferido para um hospital particular devido à suspeita de que ele estivesse manifestando um quadro de Acidente Vascular Cerebral.

Ele foi submetido a uma cirurgia de emergência para tentar reverter o quadro clínico que foi relatado pelo neurocirurgião como grave, mas foi encaminhado para a UTI, onde morreu cinco dias depois.

Fonte: Repórter MT