Sandro Louco planejava rebelião na PCE, diz decisão que mandou líder do CV ao Raio 8

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Liderança mais influente do Comando Vermelho em Mato Grosso, Sandro da Silva Rabelo, o ‘Sandro Louco’, planejava uma rebelião na maior penitenciária do Estado, a Penitenciária Central, onde ele está segregado, em Cuiabá. A rebelião seria uma resposta dos detentos às ações da Operação Tolerância Zero, que endureceu o combate ao crime organizado em Mato Grosso. É o que revela decisão do conselho de juízes que determinou a transferência de Sandro Louco para o raio de segurança máxima da unidade prisional.

Além da rebelião, também pesou contra Sandro sete celulares encontrados dentro de sua cela. Conforme as apurações, num curto intervalo de tempo, o ‘presidente’ do CV recebeu 140 ligações, incluindo de vídeo, da esposa, Thaisa Rabelo, a quem ordenaria a prática de crimes como lavagem de dinheiro e o transporte de armas de fogo.

O “presidente” do Comando Vermelho o estado já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF) para voltar às celas comuns, mas os pedidos foram negados.

De acordo com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Sandro Louco, que acumula mais de 193 anos de prisão e progressão de regime prevista para 2045, é considerado o “presidente” do CV em Mato Grosso, sendo o “mais poderoso associado da organização criminosa do Comando Vermelho – CVMT”.

Sandro Louco também controlaria o “Mercadinho da PCE”, gerenciado por faccionados, gerando um lucro mensal de R$ 75 mil. Outro apontamento foi a contratação de um hacker para alterar dados no sistema judiciário, incluindo a expedição de um alvará de soltura para si.

“Assim, a permanência do reeducando nas alas de convívio coloca em risco a ordem pública, já que, mesmo recolhido, o penitente não se absteve de obter materiais ilícitos e, ainda, determinar a realização de crimes, bem como atos de indisciplina, o que evidencia sua periculosidade”, destacou o conselho.

As autoridades tinham pedido ainda a transferência de Sandro Louco a uma penitenciária federal, mas os juízes não consideraram a medida necessária, uma vez que a PCE teria instalações adequadas para garantir maior rigor no cumprimento da pena.

No raio 8 da PCE, além do isolamento com os outros presos, as visitas passam a ser quinzenais, com apenas duas por vez, em instalações específicas que impedem o contato físico. Banho de sol limitado a duas horas, também sem contato com outros detentos, além da fiscalização de correspondências. (HNT)