Professor de Tangará da Serra tem tese de doutorado considerada melhor do Brasil

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O professor Sidnei Boz, formador do Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (Cefapro), de Tangará da Serra (239 quilômetros a Médio-Norte da Capital), teve sua tese de doutorado avaliada como a melhor do Brasil pela Associação Brasileira de Literatura Comparada (Abralic).

O estudo denominado “Teatro Angolano: o épico nas peças de José Mena Abrantes e Pepetela”, ficou em 1º lugar na categoria Tese do Prêmio “Dirce Côrtes Riedel”, no 16º Congresso Internacional da Abralic.

A premiação ocorreu no último dia 16 de julho, na Universidade de Brasília (UNB). O prêmio prevê a publicação da tese pela Abralic no prazo de um ano.

Segundo o professor, ele já está socializando a pesquisa com os demais formadores do Cefapro de Tangará e a tese vai ajudar na leitura didática trabalhada em sala de aula.

“Leitura de peças teatrais como apoio pedagógico e também vai reforçar o Documento de Referência Curricular de Mato Grosso – DRC-MT”, destaca.

Sidnei Boz se refere à pirâmide do conhecimento da DRC-MT a qual aponta que, após duas semanas, a pessoa lembra 10% do que lê, 20% do que ouve e 90% do que faz e fala.

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“Aí que entra o teatro. Se o professor trabalhar com teatro, o aluno vai ter um grande ganho no aprendizado. E com o teatro podemos trabalhar diversas metodologias”, comemora.

O professor lembra que o teatro é tão importante que atualmente surgiram diversos cursos para executivos, cujo foco é otimizar a expressividade, no chamado “estudo da presença”. Com isso, os executivos buscam se expressar e comunicar melhor com as pessoas.

Sidnei Boz explica que a linha de pesquisa da tese de doutorado é a sequência da dissertação de mestrado que trabalhou o teatro brasileiro e angolano.  “Agora, a minha tese foi voltada para o teatro de Angola”, esclarece.

Teatro angolano

A tese aborda o estudo de peças de teatro angolano: A Corda (1976) e A revolta da casa dos ídolos (1979), de Pepetela e O grande circo autêntico (1978) e Ana, Zé e os Escravos (1980), de José Mena Abrantes.

Nelas, o pesquisador observa o teatro épico, cuja natureza é política e permite uma adequação às condições do momento histórico em que é produzido. O cenário é desprovido de adornos que não sejam essenciais e assim permite que se sobressaia a atuação das personagens, que encarnadas em atores, experimentam o deslocamento das emoções ao plano da reflexão, da análise e da crítica.

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A proposta é a substituição da emoção pelo distanciamento, uma vez que o indivíduo consegue analisar melhor o que lhe é comum no dia-a-dia por meio de algo que cause estranheza e lhe quebre a fantasia. As características do teatro épico exigem uma atitude de observação crítica da narrativa de suas personagens, ao perceber o homem como um ser mutável pelo contexto histórico em que vive e constrói sonhos, aguçando a tomada de consciência do público para “despertar” o protagonismo que pode exercer.

Cefrapro

O diretor do Cefapro de Tangará, Antonio Marcos Alves da Costa destaca que a socialização dos resultados do estudo valoriza a pesquisa do professor.

“É um motivo de orgulho para o Cefapro ter um professor formador recebendo um prêmio em nível nacional com repercussão internacional”, ressalta.

Fonte: GOV MT