Regivaldo Cardoso, viúvo de Cleci Calvi Cardoso e pai das três filhas que foram estupradas e mortas pelo criminoso Gilberto Rodrigues dos Anjos, em Sorriso (420 km de Cuiabá) é pré-candidato à Câmara Federal pelo partido Novo. Em entrevista à Rádio Cultura FM, ele negou que esteja usando a tragédia familiar para se autopromover politicamente.
“Hoje eu sou pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo. Estamos estudando como vai ser feito. Vamos ver ser, acho que em março, eles fazem a reunião e definem realmente se vou ser candidato ou não. Eu recebo muitas críticas: ‘ah, você está se aproveitando da família’. Eu vou dizer bem claro que eu não estou me aproveitando. Eu nunca quis isso. O que eu mais queria era ter força para voltar a trabalhar de caminhão, e eu não tenho mais”, declarou.
“Como família a gente ficava indignado quando ouvia: ‘ah, o marido assassinou a mulher’, ‘ah, o marido bateu na mulher’, ‘ele espancou’. E a gente ficava indignado quando ouvia casos de crianças sendo estupradas. Imagina eu, pai de três meninas. Não só por meninas, tem meninos também que são violentados. Então, a gente ficava indignado com isso”, relembrou durante a entrevista no dia 10 de dezembro do ano passado.
Na época dos fatos, o Gilberto trabalhava e morava em uma obra ao lado da residência onde cometeu o crime. O esposo e pai das vítimas viajava a trabalho. Gilberto foi preso pela Polícia Civil de Sorriso logo após os corpos terem sido descobertos, tendo confessado os crimes em depoimento. Ele foi condenado a 225 anos de prisão no julgamento ocorrido no dia 8 de agosto de 2025.
O nome de Cleici Cardoso foi dado à Lei do cadastro nacional de pedófilos e predadores sexuais de autoria da senadora Margareth Buzetti (PP-MT) e sancionada pelo presidente Lula (PT) em 2024, quase um ano depois da tragédia. Durante a tramitação do projeto, Regivaldo participou das audiências públicas e discussões em Brasília. Por isso, amigos e familiares o incentivaram a ingressar na política.
“Nos últimos, acho que nos últimos três meses, conversando com alguns amigos e tal, eles falaram: ‘não, você tem que entrar, você tem uma voz forte lá’. Mas eu sempre falava: ‘eu não fiz nada lá’. E respondiam: ‘não, mas o fato de você ir lá, você contar a história, as pessoas te verem, isso sensibilizou’. Tem falas de alguns senadores que mostram isso lá. Então, conversando com esses amigos, eu pensei: ‘poxa, o não eu já tenho, né, então o que custa tentar’, comentou.
Por fim, Regivaldo contou que não consegue mais trabalhar como caminhoneiro depois da tragédia. Disse que pega pequenas viagens, mas não de caminhão. Desde a perda das filhas e da esposa quem o ajudou foi a senadora Margareth, mas como ela deixou o Senado e em seu lugar assumiu Carlos Lacerda (PSD) ele também deixou o cargo que tinha. Agora, quem tem o ajudado é o partido Novo, ao qual ele se filiou e pretende disputar uma cadeira no Congresso Nacional.
“Trabalhei numa transportadora, não deu certo, porque eu trabalhei muitos anos como motorista, e você ir para a parte de tecnologia administrativa é difícil, né. Eu já estou com 48 anos, tem coisas que eu não pego ali, então demora um pouco mais, e me demitiram. Mas eu levo uns móveis aqui, faço alguma coisa ali e vou sobrevivendo. Graças a Deus, não falta. Estou trabalhando também com o Partido Novo, eles estão me ajudando. Eu trabalho junto com eles divulgando o partido. Então estou me mantendo assim”, disse.





