Onça ‘fantasma’: pesquisadores buscam lenda em Chapada dos Guimarães

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Foto: Ilustração/Catarina Furtado/VC no TG

Uma nova etapa de pesquisa e conservação da fauna começa a ser escrita no coração do Cerrado mato-grossense. O projeto Impacto anunciou o início de um monitoramento inédito de onças-pintadas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, unidade de conservação criada em 1989.

Apesar dos relatos frequentes sobre a presença de onças na região, nunca houve um acompanhamento sistemático da espécie desde a criação do parque. Agora, a proposta é mudar esse cenário. Durante os próximos três anos, pesquisadores vão instalar equipamentos e realizar o monitoramento contínuo dos felinos que habitam a área.

O trabalho será desenvolvido em meio à paisagem característica do Cerrado, considerado um dos biomas mais biodiversos do mundo. A equipe pretende mapear a presença, os hábitos e o território das onças-pintadas na região, contribuindo para estratégias de conservação e manejo da espécie.

A expectativa é entender melhor como esses animais utilizam o espaço dentro do parque, que reúne paredões de arenito, cachoeiras, matas e áreas abertas.

Em busca da ‘onça preta’

Entre os objetivos mais simbólicos do projeto está a tentativa de confirmar a existência de um animal que povoa o imaginário local: a chamada “onça preta”, apelidada de “fantasma da Chapada”.

O nome surgiu justamente pela falta de registros oficiais. Moradores e frequentadores relatam avistamentos ao longo dos anos, mas até hoje não há comprovação por meio de imagens ou monitoramento científico.

Caso seja confirmada, a presença de uma onça com melanismo, variação genética que deixa a pelagem escura, poderá representar um marco para a pesquisa e para a conservação da fauna na região.

Conservação e conhecimento

Além da possível descoberta, o projeto busca consolidar dados inéditos sobre a população de onças no parque, fortalecendo ações de preservação em uma das áreas naturais mais emblemáticas de Mato Grosso.

Com o monitoramento de longo prazo, pesquisadores esperam transformar relatos em ciência e, quem sabe, revelar se o “fantasma da Chapada” é apenas lenda ou uma presença silenciosa nas matas do Cerrado. (Primeira Página)