O prazo para apresentação de propostas de compra da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá terminou nesta quinta-feira (28), mas ninguém demonstrou interesse em assumir o imóvel avaliado em R$ 78,2 milhões. Nem a União, nem o Estado, nem o Município, tampouco empresas ou pessoas físicas formalizaram propostas.
Diante do impasse, caberá ao juiz Ângelo Henrique Peres Cestari, responsável pelo processo, definir os próximos passos. Entre as possibilidades estão a reabertura do edital, a realização de um leilão ou até a busca por outras soluções que evitem a degradação da estrutura, que deverá ser desocupada pelo Estado até o final do ano.
O edital lançado para a venda previa um valor de R$ 54,7 milhões, o que corresponde a 70% do preço de mercado. A quantia seria destinada, prioritariamente, ao pagamento de cerca de 800 ações trabalhistas e fiscais, totalizando aproximadamente R$ 48 milhões em dívidas.
A Santa Casa, situada na Praça do Seminário, no bairro Bandeirantes, possui terreno de 22 mil m² e 20 mil m² de área construída. Sua fachada é tombada como patrimônio histórico estadual, condição que limita reformas estruturais e estéticas.
Fundada há mais de um século, a instituição encerrou suas atividades em março de 2019, após enfrentar uma grave crise financeira que deixou funcionários sem salários por sete meses. Em maio do mesmo ano, o Governo de Mato Grosso requisitou administrativamente o prédio e o transformou em Hospital Estadual Santa Casa, mas a operação tem prazo definido para terminar em dezembro de 2025.
Até o momento, o Estado já repassou R$ 32 milhões pelo uso da unidade, valor que não foi suficiente para liquidar todas as dívidas acumuladas ao longo dos anos. Agora, sem comprador e com a desocupação programada, o futuro do prédio histórico permanece indefinido.(COM ÚNICA NEWS)