Morre Luis Fernando Verissimo, um dos maiores escritores do país, aos 88 anos

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O escritor Luis Fernando Verissimo morreu neste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre (RS). Ele estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento havia cerca de três semanas, após um quadro de princípio de pneumonia. A morte foi confirmada por familiares.

Verissimo sofria de Parkinson e problemas cardíacos. Em 2016, implantou um marcapasso e, em 2021, sofreu um AVC que agravou suas dificuldades motoras e de comunicação. Ele deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

Filho do também escritor Érico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre em 1936 e tornou-se um dos autores mais lidos do Brasil. Com mais de 80 títulos publicados, construiu carreira marcada pelo humor refinado e pela ironia, transitando entre crônicas, contos, romances, cartuns, roteiros e peças teatrais.

Sua popularidade cresceu nos anos 1970, quando passou a assinar colunas em jornais de circulação nacional, como Jornal do Brasil, Folha da Manhã e Zero Hora. Escreveu sobre política, futebol, comportamento, música e gastronomia, quase sempre em tom bem-humorado. Personagens como o detetive Ed Mort, o Analista de Bagé e a Velhinha de Taubaté ganharam o imaginário popular e se tornaram símbolos de sua produção.

Além da literatura, Verissimo teve forte ligação com a música. Apaixonado por jazz, tocava saxofone e integrou grupos musicais desde a juventude até a maturidade, entre eles o Jazz 6, que se apresentou em diferentes cidades do Brasil.

Nos anos 1990, ampliou seu alcance com a adaptação televisiva de Comédias da Vida Privada, série exibida pela TV Globo baseada em suas crônicas sobre o cotidiano da classe média brasileira. Seus livros também se mantiveram entre os mais vendidos por décadas, com traduções para diversos idiomas.

Considerado um dos maiores cronistas brasileiros, Verissimo recebeu prêmios importantes, como o Juca Pato de Intelectual do Ano (1997), concedido pela União Brasileira de Escritores, e o Prêmio Multicultural Estadão (1999).

Com uma escrita leve, irônica e precisa, Luis Fernando Verissimo se consolidou como observador agudo da sociedade brasileira e deixa um legado que atravessa gerações de leitores. (PNB)