Estefany Pereira Soares, 17, foi morta estrangulada em Cuiabá, apontou laudo da Perícia Oficial (Politec). Ela também tinha marcas de queimaduras pelo corpo. Segundo a Polícia Civil, até o momento, estão presos o irmão dela, Marcos Pereira Soares, e a esposa dele, cunhada da vítima, Mariana Mara da Silva. A motivação é apurada, mas foi descoberto que Mariana tinha ciúmes e uma má relação com Estefany.
“Foi uma morte com visível agressão. Segundo a necropsia, ela morreu por estrangulamento. Então, está claro que foi um feminicídio”, disse o delegado titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Caio Albuquerque.
Já a delegada responsável pelo caso, Jéssica Assis, reforça que a causa da morte foi estrangulamento causado por uma peça de roupa de Mariana. Porém, ainda não é possível identificar como ela participou do crime.
“O que temos são indícios muito fortes da participação dela, mas o que a gente precisa entender e até que ponto aconteceu, não teve testemunhas oculares”, disse.
Assis ressaltou que, a partir das próximas diligências, a DHPP vai descobrir qual foi o grau de participação dela na morte da cunhada. Fora isso, o laudo aponta que diversas queimaduras em várias partes do corpo de Stefane.
Sobre a possibilidade de violência sexual, o laudo não apontou uma existência de conjunção carnal forçada. “Não há indícios de dilaceração, nem nada do tipo. Só que isso não significa que não aconteceu. Também segue em apuração”, destacou a delegada.
Mariana e Marcos prestaram depoimentos separados. Um joga a culpa no outro. Conforme Jéssica, ele diz que Mariana matou Stefane. Já Mariana diz que Marcos teria violentado sexualmente a irmã e a matado. Porém, nenhum dos dois explica como o crime aconteceu.
Ciúmes
“O motivo, as cunhadas não tinham boa relação, elas não se gostavam. A Mariana tinha um certo ciúme da Estefany. Tem essa situação de uma ligação que a vítima fez para ela, que fica chateada, faz xingamentos e questiona o motivo dela procurar o irmão”, disse Caio.
“Não havia problema entre irmãos, pelo contrário, agora, por outro lado, as duas não se gostavam. A Mariana não gostava da vítima”, destacou Caio. Já a delegada Jéssica ressalta que, quando Stefane era criança, Marcos e Mariana chegaram a cuidar dela por um tempo.
Assis citou ainda as movimentações da suspeita antes e depois do crime, como o fato de ter procurado a imprensa para dar entrevistas e também por ter ido várias vezes na DHPP pedindo “apoio para tirar os pertences da casa em que morava com Marcos”.
Porém, na verdade, ela estava tentando descobrir o que as testemunhas relatavam sobre o comportamento dela. “Também apresentava seletividade na entrega de informações aos investigadores. Uma testemunha disse que, assim que a Stefane desapareceu, ela ligava toda hora para Marcos, dizendo que ele tinha que se apressar que eles tinham coisas para fazer”.
Localização do corpo
Estefany estava desaparecida desde terça-feira (10), conforme já divulgou o Gazeta Digital. A mãe, ao encontrar o filho, já na quarta-feira (11) , o pressionou para saber do paradeiro da jovem. Porém, o suspeito desconversava. Ela o levou para casa e acionou outros familiares, porém, ao perceber a “armação”, fugiu para dentro de um matagal.
Família começou a buscar pela jovem na região até que, por volta das 21h30, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou que o corpo da jovem foi encontrado dentro do córrego.
Vítima estava submersa na água, apenas com as pernas para fora. Vítima apresentava ferimentos pelo corpo. Cena foi isolada para os trabalhos do Corpo de Bombeiros, DHPP e Perícia Oficial (Politec).
Em seguida, com o apoio da Polícia Militar, o suspeito foi preso já na madrugada de quinta, na região do CPA. Ele foi flagrado andando pela avenida Brasil, quando foi abordado.
Por hora, Marcos foi autuado pelos crimes de sequestro, estupro, feminicídio e ocultação de cadáver. “Provavelmente também teve tortura, o corpo dela tinha alguns sinais de queimaduras e outras lesões”.
Cabe a perícia apontar também como ela foi morta. “Ainda vamos apurar se a causa da morte foi asfixia, afogamento ou pelas queimaduras”. Jessica ressaltou que a vítima ainda tinha uma corda com uma pedra amarrada no corpo.
Quando foi preso, Marcos contou ainda que procurou a irmã apenas para conversar, resolver uma questão ligada à mãe. “Que no momento que saíram de casa, eles teriam ido só até a esquina, conversaram rapidamente e ele seguiu o rumo. Depois, disse que não sabe o que teria acontecido com ela”, lembrou a delegada.
Segundo ela, apesar de ter dado essa versão dos fatos, ele não forneceu nenhum álibi. Estefany estava em casa, com o companheiro, quando foi abordada pelo irmão. Depois disso, ela não foi mais vista. (Gazeta Digital)





