Mendes mostra em cinco meses mais credibilidade que Taques na gestão inteira; déficit fica abaixo do orçado

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É provável que nem em seu piores pesadelos o governador Mauro Mendes (DEM) imaginasse o volume do rombo das contas do governo de Mato Grosso e tamanho do abacaxi a ser descascado, a partir de janeiro de 2019. E talvez nunca tenha sido tão original o velho ditado pantaneiro de que o “buraco é mais embaixo” quando se  trata de corrigir equívocos alheios.

Contudo, a pegada forte de Mendes deve reduzir drasticamente o déficit  de R$ 1,7 bilhão previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2019. A projeção de 10% de redução do déficit deve ser superada.

E, num contexto ampliado, seu comportamento é muito diferente do antecessor, na prática, podendo ser sentido no contato com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, no tratamento dado aos prefeitos e no diálogo com as bases populares e organizações socais.

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E, para quatro em cada cinco consultados, uma palavra simples demais diferencia o atual comandante do Palácio Paiaguás do antecessor: credibilidade.

“É mais fácil trabalhar, assim! Todos sabem a situação difícil do Estado e que  cada repasse é muito importante para os municípios, mas quando o governador Mauro Mendes promete, ele cumpre”, disparou a prefeita Lucimar Sacre de Campos (DEM), ao lado do chefe do Poder Executivo, durante recente evento de inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cristo Rei, em Várzea Grande.

Lucimar é esposa do senador Jayme Campos (DEM) e comanda a segunda maior cidade de Mato Grosso. Ela enfatizou a importância do apoio de Mendes para colocar a UPA Cristo Rei, em funcionamento, além da atualização dos repasses para o Fundo Municipal de Saúde. Parece pouco, mas salva vidas!

Em público, Mauro Mendes tem evitado atacar Pedro Taques. Talvez por tê-lo apoiado, em 2014, ou simplesmente para não repetir o formado do início de governo anterior, onde a culpa de todas as mazelas era jogada no lombo da gestão Silval Barbosa (2010-14).

Mauro Mendes  adotou definitivamente o velho adágio popular: quem se casa com a viúva, assume os filhos. E não reclama!

No manche do controle de gastos, o secretário de Estado de Fazenda (Sefaz), Rogério Luiz Gallo, reconheceu que, no primeiro  quadrimestre deste ano,  a arrecadação do governo de Mato Grosso foi de R$ 5,71  bilhões – mais de 10% abaixo do esperado.

A média mensal arrecadada pelo governo estadual foi de R$ 1,42 bilhão. Em janeiro, a receita do estado foi de R$ 1,36 bilhão. Mas as despesas pagas e não pagas somaram o montante de R$ 1,53 bilhão. A soma entre receitas e despesas gerou um déficit de R$ 168,85 milhões, no Tesouro do Estado.

Em fevereiro, o déficit nas contas do governo foi de R$ 118 milhões; no mês de março, o déficit, diferença entre a receita e a despesa, foi de R$ 72,82 milhões.

Mauro Mendes tem conseguido pagar os vencimentos dos servidores no mês subsequente ao trabalhado, mas anda não dá para discutir o retorno dos salários para o último dia útil do mês. Ele entende que é necessário  tempo para o equilíbrio das contas do Estado.

Mendes disse que não vai tomar medidas no afogadilho. “É essencial um tempo maior  para compreender melhor a situação, com mais profundidade para ter segurança e maturidade nas decisões”, definiu o chefe d Poder Executivo de Mato Grosso.

As críticas da oposição, em princípio, raramente são respondidas. “Estamos focados e muito em mergulhar no busca de solução dos problemas, para que possamos apresentar diagnósticos e alternativas um pouco mais claras”, sintetizou Mendes, deixando no ar que não vai para o confronto verborrágico com os deputados estaduais que o atacam.

Professores: 31% de aumento real

Entre a necessidade de redução das despesas com pessoal, para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), e o reconhecimento de que os profissionais da educação merecem tratamento diferenciado, o governador Mauro Mendes (DEM) enfrenta a primeira greve do seu governo, com menos de cinco meses de mandato. É o primeiro teste de foto para a equipe econômica do Poder Executivo de Mato Grosso, desde 1º de janeiro.

Os professores da rede pública de Mato Grosso tiveram 31% de aumento real nos últimos quatro anos. E é o levantamento da revista Nova Escola, especializada em Educação,  que aponta que houve crescimento salarial, no Estado, muito acima da média nacional. A remuneração do professor saltou de pouco mais de R$ 2,9 mil em 2015 para R$ 4,35 mil em 2018, gerando um custo adicional de R$ 530,6 milhões ao Tesouro do Estado.

E a equipe econômica de Mendes entende que os dados são irrefutáveis:  Mato Grosso paga R$ 4,35 mil aos profissionais para uma jornada de 30 horas semanais. O Estado fica apenas atrás do Maranhão (R$ 5,75 mil) e Mato Grosso do Sul (R$ 5,55 mil). Caso os mato-grossenses trabalhassem em regime de 40 horas semanais, o salário partiria para R$ 5,15 mil.

O Ministério da Educação, por exemplo, estabeleceu que o piso nacional para este ano fique na casa dos R$ 2.557.74. Assim, o Estado paga mais que o piso nacional de 40 horas, mesmo que os professores tem uma jornada de 30 horas por semana, já que o valor pago chega em 70,1%.

Fonte: Cuiabano News