Mendes defende medidas para evitar ‘caos econômico gigantesco’

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O governador Mauro Mendes (DEM) disse que não decidiu flexibilizar as medidas de isolamento social com base na recomendação do presidente da República, Jair Bolsonaro e que as restrições dos setores econômicos têm que aumentar gradativamente na medida em que os casos da Covid-19 avancem. Em entrevista ao Estado de São Paulo, Mendes justificou que não houve mudança na estratégia de enfrentamento ao coronavírus em Mato Grosso, mas defendeu que as atividades econômicas precisam continuar: “Vamos ficar 45 e 60 dias parados? As pessoas aguentam isso? O País aguenta isso? Vai faltar comida, as pessoas vão perder os empregos, vai ser um caos econômico gigantesco. O País vai quebrar de uma maneira que nunca mais se recupera”.

Na última semana, Mendes publicou um decreto que, segundo ele, apenas reúne as normas de outros decretos publicados anteriormente e que tratavam de medidas de prevenção e combate ao coronavírus. No entanto, reconhece que houve mudanças de protocolo, como a autorização para a abertura de shoppings. “As demais restrições de convívio social, de aglomeração de pessoas e qualquer tipo de movimento social continuam valendo”, argumentou o governador em entrevista ao Estadão.

Para Mendes, o ideal neste instante é “equilíbrio”. Ele reconhece que a paralisação de setores mais amplos da economia talvez seja necessária em um futuro próximo, quando os casos da Covid-19 se tornarem mais abrangentes. Ele explica que o “para tudo” deve ocorrer para bloquear uma grande transmissão e  permitir que o sistema de saúde responda adequadamente. “Hoje, eu não tenho em Mato Grosso nenhuma pessoa internada na rede SUS. Eu tenho 11 casos, dez em casa e um em enfermaria de hospital privado e eu mando parar tudo?”.

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Mendes argumentou também que não vê diferença em liberar o funcionamento de supermercados e não liberar de shopping center. “Neste momento, nenhum shopping no Brasil que abrir vai ter mais que 30% ou 40% de movimento. Vai ter muito menos movimento que qualquer supermercado está tendo neste momento. É uma questão de coerência técnica entre as duas decisões”.

O governador explicou que outras providências estão sendo tomadas para garantir o atendimento de saúde à população, como a construção de novos 200 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Metropolitano, em Várzea Grande. Também anunciou a compra de respirador, monitor e equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde. E voltou a comparar as ações para cuidar das pessoas e preservar a economia. “Estamos tomando providência para salvar vidas, mas não podemos arruinar a vida das pessoas. Milhões de pessoas vão ser desempregadas, vão quebrar, isso vai trazer dor e sofrimento gigantesco. Talvez irreparáveis”.

Com relação ao futuro, Mendes disse que vê com preocupação os embates entre o governo federal, estados e prefeituras. Segundo ele, o momento é de união contra um inimigo em comum. Caso não haja união, prevê um cenário catastrófico. “Nós temos hoje uma grave crise na saúde, que vai se transformar numa grave crise econômica e pode virar uma grave crise política. A combinação dos três é explosiva para o nosso País”, concluiu.

Fonte: PNB Online