O depoimento da produtora rural Sandra Cattani marcou a sessão do Tribunal do Júri que julga os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados do assassinato de Raquel Cattani, ocorrido em Nova Mutum. Em fala firme e emocionada, a mãe da vítima afirmou que Romero retirou dos próprios filhos o direito de conviver com a mãe, causando um dano irreparável às crianças.
Ao relatar a manhã do crime, Sandra contou que estranhou a ausência da filha, que mantinha uma rotina diária de visitas. Ao entrar na casa, encontrou Raquel caída no chão. Segundo ela, o primeiro pensamento foi de que a filha tivesse passado mal, mas o contato com o corpo revelou que já não havia mais sinais vitais.
Durante o depoimento, a mãe detalhou o contexto familiar vivido por Raquel nas semanas que antecederam o assassinato. Conforme relatado, a vítima estava separada de fato do ex-marido havia cerca de um mês, apesar de o casamento ainda não ter sido formalmente encerrado. A decisão de não retomar o relacionamento, segundo Sandra, era definitiva, embora o contato permanecesse por causa dos filhos.
A testemunha também relembrou o dia anterior ao crime. Romero teria buscado as crianças para passarem a noite com a avó, em razão do aniversário de um dos filhos no dia seguinte. Em um almoço familiar, Raquel evitou qualquer aproximação, inclusive recusando-se a tirar fotos ao lado do ex-companheiro, o que evidenciou o afastamento entre os dois.
Outro ponto destacado no depoimento foi o comportamento que a família classificou como controlador. Sandra afirmou que Romero acessava o celular de Raquel sem consentimento e chegou a divulgar conversas privadas da vítima a terceiros, atitude que, na avaliação da família, demonstra um histórico de invasão de privacidade e violência psicológica.
Ao ser questionada sobre a situação dos netos, Sandra informou que as crianças permanecem sob os cuidados da família materna e têm consciência da morte da mãe. Segundo ela, os filhos demonstram saudade constante, pedem para ver registros em fotos e vídeos e mantêm viva a lembrança de Raquel dentro de casa.
Encerrando o depoimento, Sandra afirmou que espera a condenação dos réus, embora reconheça que nenhuma decisão judicial será capaz de reparar a perda. Para ela, a dor mais profunda é acompanhar o crescimento dos netos sem a presença da mãe.
O crime
Raquel Cattani foi morta a facadas dentro da própria residência, na zona rural de Nova Mutum, no dia 18 de julho de 2024. De acordo com a acusação, Rodrigo Xavier Mengarde teria aguardado a chegada da vítima escondido no imóvel e executado o ataque. Romero Xavier Mengarde responde como o responsável pelo planejamento do crime.
O julgamento segue com a fase de oitiva de testemunhas e interrogatórios dos réus, antes dos debates finais e da decisão dos jurados. (Página Única)





