Lobista de MT é suspeito de jogar comida em vaso para emagrecer em presídio

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Polícia Penal aponta que comparsa do PCC tentou replicar tática de descarte de comida em Brasília. Foto: Reprodução

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno do lobista Andreson Gonçalves de Oliveira à Penitenciária Federal de Brasília. Conforme apuração da Folha de São Paulo, o magistrado acatou relatórios da Polícia Penal que sugerem que o investigado, pivô da Operação Sisamnes, que apura a venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), teria simulado uma condição de saúde gravosa, perdendo peso deliberadamente para obter prisão domiciliar.

Andreson, que havia sido preso em novembro de 2024, chegou a conquistar a transferência para sua residência em Primavera do Leste (MT) em julho de 2025, após aparecer em imagens com as costelas aparentes e relatar a perda de 30 kg. No entanto, gravações ambientais da unidade prisional e laudos médicos posteriores indicaram que o lobista estaria descartando refeições no vaso sanitário e simulando limitações de mobilidade.

Estratégia replicada pelo PCC

A investigação apurou que a tática teria sido copiada por outro detento: William Barille Agati, apontado como “faz-tudo” do PCC e acusado de tráfico internacional. Segundo a Polícia Penal, Agati, que dividia custódia com o lobista, passou a recusar alimentação e contratou o mesmo advogado de Andreson na tentativa de obter o mesmo benefício humanitário.

Um laudo médico realizado antes do retorno de Andreson ao sistema fechado revelou que ele recuperou 13 kg em apenas três meses de regime domiciliar, apresentando inclusive sobrepeso. O documento destacou que o lobista se deslocava por escadas sem dificuldades, contrariando as queixas neurológicas e de paralisia apresentadas anteriormente.

Defesa alega doença real

A defesa de Andreson Oliveira nega qualquer simulação. O advogado Eugênio Pacelli afirma que exames de sangue e laudos do IML atestaram “neuropatia diabética”, condição que justificaria o emagrecimento e os problemas de saúde. Segundo os defensores, a recuperação de peso ocorreu devido ao tratamento adequado fora da prisão e criticam a conclusão da Polícia Penal, classificando-a como infundada.

Além da polêmica sobre o estado de saúde, Zanin citou o descumprimento de medidas cautelares, como a ausência de Andreson na Central de Monitoramento para a troca de sua tornozeleira eletrônica, como reforço para a manutenção da prisão preventiva. O ministro deu prazo até o fim de março para que a Polícia Federal apresente o relatório final sobre o esquema de corrupção no Judiciário. (Repórter MT)