Líder quilombola relata ameaças de morte por invasores em Ribeirão da Mutuca

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A coordenadora Estadual das Articulações das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Mato Grosso (Conaq MT), Laura Silva, afirma estar sofrendo ameaças de morte por um grupo de pessoas que invadiu a região do quilombo Ribeirão da Mutuca, em Nossa Senhora do Livramento (42 km ao sul de Cuiabá). As ameaças a líder quilombola ocorre em meio às investigações da morte de Mãe Bernadete, assassinada a tiros, no quilombo Pitanga dos Palmares, no estado da Bahia.

Ao Gazeta Digital, Laura relatou que o grupo de cerca de 8 pessoas estão acampadas desde o mês de agosto na região do Ribeirão da Mutuca que fica localizado no quilombo Mata Cavalo. As ameaças foram feitas pelos invasores diretamente aos familiares da líder. Segundo Laura, integrantes do grupo alegam que às terras não pertencem aos quilombolas que moram no local, inclusive ela.

“Chegaram fazendo pequenas ameaças, mas não tinha me tocado até irem à casa da minha mãe e da minha tia e falarem, ai eu percebi. Falaram meu nome completo.  Não foi diretamente a mim. Eles simplesmente foram entrando aqui nas terras”.

Ribeirão da Mutuca foi certificado como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares por meio da portaria n° 38930, de 39056.

Laura contou que não registrou Boletim de Ocorrência diante das ameaças sofridas, mas que notificou o Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A reportagem também procurou o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Cepir) que afirmou estar tomando medidas em prol da segurança e garantia de vida da vítima. Mas que essas ações não garantem proteção total e as respostas dos órgãos procurados estão “lentas”. “As populações quilombolas estão gritando por socorro”, frisou.

As ameaças a Laura tiveram início no mesmo mês que Mãe Bernadete, líder quilombola no estado da Bahia, morreu assassinada a tiros dentro do quilombo Pitanga dos Palmares. Ela também era representante da Conaq. Até o momento 3 suspeitos foram presos.

O filho de Mãe Bernadete, conhecido por Binho do Quilombo, também foi assassinado, em 2017 e até hoje, suspeitos não foram identificados.

Fonte: Gazeta Digital