Mato Grosso registrou o primeiro caso de Febre do Nilo Ocidental, uma infecção viral aguda, transmitida por meio da picada de mosquitos infectados. A confirmação foi feita pela Prefeitura de Campo Novo do Parecis (397 km a Noroeste de Cuiabá), após exames laboratoriais realizados pelo Instituto Evandro Chagas, referência nacional em arboviroses, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.
O paciente, um bebê de dois meses, apresentou quadro clínico leve, evoluiu de forma satisfatória e já está curado.
No entanto, o caso colocou a rede pública de Saúde em estado de atenção, uma vez que a ocorrência é considerada incomum pelas autoridades sanitárias.
Agora, a gestão municipal investiga se o vírus está em circulação ou não na região.
“Essa é uma doença que é muito associada às aves silvestres. Então, a gente tem essa migração de aves e, nesse intervalo, é que pode acontecer a disseminação do vírus. O pernilongo, ele se alimenta dessas aves silvestres e capta esse vírus, tornando-se potencial transmissor”, explicou a médica Milane Barbosa, da Vigilância de Saúde do município.
A transmissão, no entanto, é feita somente pela picada do mosquito.
“Não existe transmissão pessoa a pessoa e, 80% das pessoas são assintomáticas. Então, a grande maioria ainda que tenha tido contato com o vírus não manifesta nenhum tipo de sintomas”, afirmou, em entrevista à imprensa.
Entre os sintomas, a infecção pode provocar febre, dor no corpo, nos olhos, dor de cabeça e mal-estar.
Contudo, em situações mais raras, pode evoluir para complicações neurológicas, principalmente, em idosos e pessoas com imunidade comprometida.
De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada 150 indivíduos infectados desenvolve doença neurológica severa (meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda).
Com a confirmação, equipes técnicas da cidade iniciaram investigação detalhada para identificar possível local de infecção, além de reforçar a vigilância ambiental.
Representantes da Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT) também se deslocou para o município.
Entre as medidas, estão o monitoramento de áreas com potencial presença do vetor e com possíveis criadouros.
Além de orientação direta à população sobre eliminação dos criadouros, a investigação epidemiológica busca possíveis casos não diagnósticos.
Embora o caso seja tratado como isolado, autoridades de saúde destacam que o episódio reforça a importância de medidas preventivas contínuas, sobretudo em períodos de maior proliferação de mosquitos.
Ainda, conforme informações das autoridades públicas de Saúde, não existe vacina ou tratamento antiviral específico para a Febre do Nilo Ocidental.
É preconizado apenas o tratamento sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente, que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso e com reposição de líquidos, quando indicado.
Também não há, atualmente no Brasil, vacinas recomendadas contra a doença.
Entre as dicas de proteção individual, recomendam-se usar repelentes e evitar exposição aos vetores, principalmente ao amanhecer e ao entardecer.
O uso de tela em janelas e portas pode ser indicado.
Também algumas medidas que podem ajudar a reduzir os riscos evitar água parada e locais sem saneamento básico; eliminar todos os recipientes descartáveis que possam acumular água e não despejar lixo em terrenos baldios, valetas, nas margens de córrego e rios. (Diário de Cuiabá)





