Flagrado chicoteando devedores, empresário agiota é condenado por tráfico

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a prisão do empresário Sérgio da Silva Cordeiro, condenado a 7 anos por tráfico de drogas em Cuiabá. A decisão foi proferida em julgamento da Terceira Câmara Criminal, sob relatoria do desembargador Gilberto Giraldelli, em  10 de março de 2026. Sérgio ficou conhecido na capital por integrar um grupo supostamente formado por agiotas que chicoteavam os devedores.

A defesa alegava nulidade da abordagem policial, ausência de justa causa para a ação penal e excesso de prazo na prisão cautelar, requerendo a soltura do acusado e o trancamento do processo. Sustentou que a entrada dos policiais no imóvel teria ocorrido sem mandado judicial, baseada apenas em denúncia anônima, e que a droga não foi encontrada em posse direta do réu.

O colegiado, contudo, entendeu que as alegações sobre a abordagem e da prisão preventiva já haviam sido analisadas em habeas corpus anterior, julgado em julho de 2025, no qual a ordem foi negada. Sem a apresentação de fatos novos, a reiteração do pedido foi considerada inadmissível.

Com isso, o tribunal concluiu pela extinção do habeas corpus sem exame do mérito, mantendo a prisão do empresário e a sentença que o condenou a 7 anos em regime fechado, proferida pelo juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, da 13ª Vara Criminal de Cuiabá.

Sérgio da Silva Cordeiro está custodiado há cerca de um ano sob acusação de envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Conforme a investigação, policiais apreenderam porções de cocaína e mais de seis quilos de maconha em imóvel que seria utilizado como depósito. O acusado possui antecedentes criminais e responde a outros processos penais.

A prisão ocorreu após denúncias de que uma distribuidora no bairro Ribeirão do Lipa estaria sendo utilizada para comercialização de drogas. O flagrante foi convertido em prisão preventiva durante audiência de custódia realizada no dia seguinte à detenção.

Operação Piraim

Sérgio ganhou notoriedade em agosto de 2023, quando um vídeo seu agredindo um devedor circulou na internet. A vítima, que devia R$ 210 mil aos empresários Bruno Rossi e Rafael Geon, foi sequestrada e levada para um terreno na Avenida Miguel Sutil, onde foi chicoteada.

A Polícia Civil investigou o caso e, em setembro de 2023, deflagrou a Operação Piraim, resultando na prisão de Bruno e Rafael. Cinco dias depois, Sérgio se entregou à polícia. Durante as investigações, outras vítimas do grupo criminoso foram identificadas.

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. (Olhar Direto)