Faccionados tinham ‘bancos clandestinos’ com juros abusivos e terror aos clientes em MT

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Foto: PJC

Uma investigação apontou que criminosos faccionados utilizavam esquema de “bancos clandestinos” para esconder origem do dinheiro do tráfico. Os valores eram emprestados aos “clientes” com taxas abusivas e tinha o terror como garantia de pagamento.

A megaoperação Cartório Central, da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrada, na manhã desta quarta-feira (14), visou a desarticulação de uma facção criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão, agiotagem e controle territorial em Primavera do Leste (231 km ao Sul) e região. Um dos líderes do esquema foi preso no Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava valores oriundos do tráfico para realizar empréstimos informais a terceiros, principalmente comerciantes locais, com o objetivo de mascarar a origem ilícita do dinheiro. As movimentações financeiras identificadas são compatíveis com a prática de lavagem de capitais.

O mecanismo adotado se enquadra no crime de usura pecuniária, previsto no artigo 4º da Lei nº 1.521/1951, que proíbe a cobrança de juros ou comissões acima do limite legal. O esquema era supervisionado por integrantes de alto escalão da facção, apontados como responsáveis externos pelo financiamento ilegal.

As cobranças eram respaldadas pelo chamado “quadro de disciplina” da organização, responsável por articular represálias e até sequestros contra agiotas independentes, além de impor medo a comerciantes que se recusavam a participar do esquema.

De acordo com o delegado Rodolpho Bandeira, responsável pelo inquérito, a apuração sobre as extorsões contra comerciantes ainda será aprofundada em procedimento separado. “A atuação deles é baseada em ameaça e violência, impondo medo a todo mundo. Isso será melhor detalhado em um inquérito apartado, porque são diversos comerciantes em todo o Estado que foram vítimas”, afirmou.

Um dos líderes da facção foi preso, durante a operação, o faccionado estava com mandado de prisão decretado pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste pelos crimes de tráfico de drogas, usura e lavagem de dinheiro.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Primavera do Leste apontam que o investigado possuía função estratégica dentro da facção criminosa, no segmento da agiotagem, atuando como coordenador financeiro e responsável pela administração dos empréstimos ilícitos, cobrança de valores e repasses de recursos do grupo no município e região.

Ao todo, a operação cumpriu 471 mandados judiciais, sendo 225 de prisão preventiva, 225 de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal de Primavera do Leste, com base nas investigações da Polícia Civil. (Gazeta Digital)