Facção tentou criar ‘complexo’ em Várzea Grande nos moldes de favelas do Rio, diz delegado

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Reprodução/Olhar Direto

Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira (31), o delegado Antenor Pimentel, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), revelou que o grupo pertencente à facção criminosa Comando Vermelho, alvo da “Operação Ruptura CPX”, tentou criar um complexo na região de Várzea Grande, semelhante a favelas do Rio de Janeiro.

A autoridade policial afirmou que o grupo se aproveitava de uma região afastada dos grandes centros urbanos e tentou dominá-la, utilizando olheiros para fiscalizar moradores e novos habitantes da área, com a intenção de convencê-los a serem coniventes com a facção criminosa.

Um dos meios utilizados pelo grupo era a tentativa de ampliar a influência social nas comunidades, utilizando tanto a intimidação direta quanto a propagação de conteúdos que reforçavam a identidade e a força da facção.

A região conhecida como Isabel Campos era chamada de “Complexo”, assim como as favelas dominadas pela facção criminosa no Rio de Janeiro, e o grupo ainda buscava expandir seu poder para bairros adjacentes.

Entre os principais alvos da operação está o cantor Odanil Gonçalo Nogueira da Costa, conhecido como “MC Mestrão”, que, além de registros que o colocam em diálogos sobre guarda e negociação de veículos roubados, também teve sua produção musical apontada nas apurações como um dos elementos de aproximação pública com a facção.

MC Mestrão compõe e interpreta músicas com apologia explícita ao CVMT e a seus conselheiros, fazendo referências à dinâmica interna da organização, às regras de disciplina e a lideranças regionais.

Investigações

As investigações tiveram início com o avanço das apurações relacionadas a um flagrante de furto e receptação de defensivos agrícolas. Diante da análise dos materiais apreendidos, foi revelada a existência de uma estrutura organizada e hierarquizada de faccionados atuando em diversos bairros de Cuiabá e Várzea Grande.

Os elementos reunidos demonstram que a facção criminosa não apenas atuava no tráfico de drogas e em outros crimes, mas também buscava consolidar domínio territorial e influência social nas comunidades, utilizando tanto a intimidação direta quanto a propagação de conteúdos que reforçavam a identidade e a força da facção.

Ao todo, são cumpridos na operação 13 mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão domiciliar, decretados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias – Polo de Cuiabá. As ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e também em São Paulo (SP). (Olhar Direto)